Elad Dror vê escolha de Souto Moura como imposição do presidente e não do ex-vice de Gaia

Elad Dror vê escolha de Souto Moura como imposição do presidente e não do ex-vice de Gaia
| Norte
Porto Canal/Agências

O fundador do grupo Fortera, Elad Dror, arguido no processo Babel, considerou esta terça-feira em tribunal que a escolha do arquiteto Souto Moura para o projeto Skyline em Gaia foi imposição do presidente da câmara e não do ex-vice-presidente.

“Eu diria que a imposição foi do presidente [Eduardo Vítor Rodrigues] e não do ex-vice-presidente”, disse o empresário na 16.ª sessão do julgamento do caso relacionado com a alegada viciação de normas e instrução de processos de licenciamentos urbanísticos na Câmara de Gaia, no distrito do Porto.

Perante o coletivo de juízes do tribunal local, e questionado sobre a escolha de Souto Moura para o projeto Skyline – que previa a construção de apartamentos, hotel, centro de congressos, praça urbana e parque de estacionamento – e que a acusação considera ter sido uma imposição da autarquia em troca de benefícios, Elad Dror explicou que quem lhe falou naquele arquiteto foi o promotor imobiliário Paulo Malafaia, igualmente arguido neste processo.

“O Paulo Malafaia disse-me que a câmara gostava de ter o Souto Moura, mas não ouvi isso do ex-vice-presidente, mas eu estava contra porque não gostava dos projetos dele”, frisou.

Segundo o Ministério Público (MP), a contratação de Souto Moura custou perto de um milhão de euros de honorários aos promotores imobiliários que, devido a esse facto, procuraram “amortizar o custo acrescido com a obtenção de maior capacidade volumétrica para o projeto”.

O MP sustenta ainda que Elad Dror e Paulo Malafaia “combinaram entre si desenvolverem projetos imobiliários na cidade de Vila Nova de Gaia, designadamente os denominados Skyline/Centro Cultural e de Congressos, Riverside e Hotel Azul”, contando com o alegado favorecimento por parte do antigo vice-presidente de Gaia que receberia, em troca, dinheiro e relógios.

O fundador do grupo Fortera, que está a prestar declarações em inglês tendo o apoio de um tradutor, assumiu que, apesar de não gostar do trabalho de Souto Moura, acabou por aceitar o seu nome porque Paulo Malafaia o convenceu de que ter a assinatura dele no Skyline seria um grande benefício.

“O que eu não gostei foi que pouco tempo depois já estava nas notícias que o arquiteto seria o Souto Moura e quem disse isso foi o presidente [da câmara]. Então, eu diria que a imposição foi do presidente e não do ex-vice-presidente”, atirou.

Elad Dror adiantou ainda que, a partir do momento em que surge o nome de Souto Moura, foi a Câmara de Gaia que desenhou, apresentou e definiu a capacidade construtiva.

Quando prestou declarações, o antigo vice-presidente de Gaia disse que o nome do Souto Moura foi anunciado publicamente devido a “um equívoco” do presidente, acrescentando que o município não impôs o arquiteto para o projeto Skyline.

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