Candidatos à Casa do Douro criticam falta de informação e divulgação sobre eleições

Porto Canal / Agências
A candidata à direção da Casa do Douro Manuela Alves lamentou a falta de informação sobre as eleições que acontecem no sábado, salientando que há viticultores que desconhecem o ato eleitoral ou que não sabem onde votar, já o candidato Rui Paredes criticou a falta de divulgação das eleições, considerando que “não houve o mínimo empenho” da comissão eleitoral neste ato.
“A principal preocupação é a falta de informação. No contacto direto com os viticultores temos percebido que, de facto, eles estão perfeitamente a leste de todo este processo. Há aqui uma ausência, uma falha da comissão eleitoral e de outros organismos, nomeadamente o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), que deveriam dar mais informação”, afirmou Manuela Alves, 66 anos, natural de Carlão (Alijó) é viticultora e inspetora da Inspeção-Geral de Educação.
A candidata disse que não se compreende como, a poucos dias das eleições, “uma boa parte dos agricultores não saiba que dia 21, sábado, das 14h00 às 18h00, vai haver eleições”, acusando o IVDP “de não estar empenhado” em divulgar o processo eleitoral.
“Isto é muito grave”, frisou, salientando que a sua lista, a A, tem feito todos os esforços para informar os viticultores, eleitores neste ato, quer seja através da ajuda dos padres nas missas, das redes sociais ou no contacto direto.
“É muito, muito importante que eles vão votar. Uma participação massiva neste ato eleitoral faria toda a diferença porque dará mais legitimidade a quem for eleito”, realçou.
Segundo referiu, alguns eleitores não sabem que há eleições, outros não sabem qual a sua mesa de voto, pois o local depende da freguesia de onde dispõe maior área de vinha e não da residência, nem o horário de votação, que foi alterado na semana passada.
Já Rui Paredes, em declarações à Agência Lusa, elencou vários problemas ocorridos durante o processo eleitoral, o primeiro depois da restauração da Casa do Douro, pelo parlamento, como associação pública de inscrição obrigatória.
As eleições para a direção e conselho regional estão marcadas para sábado. Para a direção foram submetidas duas listas, a A - Devolver a Casa do Douro aos Pequenos e Médios Viticultores - que é liderada por Manuela Alves e a B – Douro Unido - que é encabeçada por Rui Paredes.
Rui Paredes realçou o esforço feito pela candidaturas na divulgação do ato eleitoral, mas a poucos dias do sufrágio ainda há muitos viticultores que dizem desconhecer que há eleições e onde devem ir votar.
O candidato disse que foi criado um ‘site’ dirigido ao ato eleitoral, mas “sem dar conhecimento ao viticultores”, considerando que esta página cumpriu formalismos administrativos, mas não se dispôs elucidar e convocar os viticultores para as eleições.
Não houve também, acrescentou, “qualquer tipo de divulgação”, através de rádios ou jornais, considerando que “não houve o mínimo empenho da comissão eleitoral” neste processo.
A comissão eleitoral é presidida pelo presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), Gilberto Igrejas, que, contactado, esta terça-feira, pela Lusa apenas disse que estão a ser cumpridos "os normativos legais aplicados à realização das eleições".
Também a lista pública de locais de voto e o encurtamento do horário da votação em cima da hora são, segundo Rui Paredes, “exemplos da mediocridade” da comissão eleitoral. O horário da votação passou a ser das 14h00 às 18h00.
Entre outras críticas apontadas estão a falta de clarificação na documentação a apresentar nas candidaturas, alterações sucessivas de prazos, a falta de recursos por parte do IVDP afetos ao apoio ao processo eleitoral, a aceitação pela comissão eleitoral de candidaturas do mesmo viticultor a órgãos distintos (direção e conselho regional), não permitida pelo regulamento.
Verificou-se ainda, acrescentou, a aceitação das declarações de propositura à direção de documentos em que os proponentes deram apoio a Sérgio Soares, que encabeçou inicialmente a lista A, mas desistiu e foi substituído por Manuela Alves.
“Esta situação é muito grave porque se as assinaturas não fossem aceites a candidatura seria excluída por falta do número mínimo [200]”, referiu o candidato pela lista B.
Acrescentou que há ainda casos em que uma lista ao conselho regional é encabeçada por um funcionário do IVDP, uma situação que classificou como “eticamente questionável”, no concelho de Santa Marta de Penaguião, em que a lista B candidata ao conselho regional foi excluída na semana passada, já depois da afixação das listas definitivas.
Por fim, Rui Paredes disse que a comissão eleitoral se desresponsabilizou da organização das assembleias de voto, transferiu essa responsabilidade para as câmaras e juntas de freguesia, as quais tiveram de tratar de angariar elementos para a composição das mesas, com extremas dificuldades porque não existirá qualquer remuneração desses elementos, ao contrário de qualquer ato eleitoral existente a nível nacional.