“Pequenina” e “gostosa”. Como está a sardinha este São João?

“Pequenina” e “gostosa”. Como está a sardinha este São João?
Pedro Benjamim | Porto Canal
| Norte
Catarina Cunha

Nos dias que antecederam a noite de São João, a sardinha, rainha da mesa dos portuenses no mês de junho, andou fugida aos pescadores da Afurada. Descontentes e de cestos vazios, os homens do mar apontam o vento e a água fria como principais responsáveis pela pouca fartura que, ainda assim, vai colocar no prato uma sardinha “pequenina” e “gostosa”.

“Se soubéssemos o segredo da sardinha, todos os dias apanhávamos”, suspira António Dias, pescador na Afurada, em Vila Nova de Gaia, desde os 16 anos de idade. Enquanto são arrumadas as redes de pesca no armazém para a próxima noite de trabalho, o cansaço e a frustração estão espelhados nos rostos daquelas dezenas de homens do mar. Pouco ou nada têm trazido para terra, algo que se tornou o “novo normal” dos últimos dias.

Não muito longe, na lota de Matosinhos, chegam cerca de vinte embarcações de pesca com mais de 20 toneladas de peixe a bordo. Naquele local, o quilo da sardinha deve chegar aos dois euros. Apesar de “gordinha”, a pouca sardinha não enche os olhos aos portuenses, nem a carteira aos pescadores. 

 
 
 
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Na banca da Dona Maria, no Mercado da Afurada, a sardinha “é pequenina”, mas “está boa, porque é da nossa”, sublinha, garantindo que o tamanho nem sempre é sinónimo de qualidade. No espaço ao lado, enquanto amanha um balde repleto de sardinhas, Dona Ana, outra peixeira, reconhece que apesar da pouca oferta, as vendas têm sido “boas” e, por isso, olha com esperança não só para o São João mas também para o São Pedro da Afurada.

Aqueles que tratam o peixe por “tu” garantem que, apesar de pequena, “a sardinha do Norte tem muito mais qualidade” do que a do Sul.

“O segredo está na altura de assar”

António Oliveira, pescador desde os 14 anos e assador há cinco, é conhecido como o rei da sardinha assada na Afurada. Os colegas de profissão, em jeito de brincadeira, dizem que o moreno da sua pele é devido às milhares de brasas que já acendeu. António abana a cabeça e culpa as viagens em alto-mar. Assume que assar sardinhas “é uma ciência” e que por isso “não deixa ninguém” tocar no seu assador.

“O segredo está na altura de assar. Temos que levantar a grelha, para que o calor não queime a sardinha por fora e a deixe crua, por dentro”, afirma, destacando que quando a sardinha está com a escama amarelada e a pingar na brasa “está perfeita para comer”.

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