Por apenas um euro há um táxi no Porto que o deixa “mais perto” de casa
João Nogueira
Autocarros, metro, bicicletas e até mesmo trotinetes. É inegável que a mobilidade avança a bom ritmo no Porto e a existência dos diferentes modos facilita a vida de quem circula na cidade. Mas engana-se quem pensa que o transporte público chega a todos os cantos da Invicta. Para colmatar este problema, a Câmara do Porto lançou, em maio, o “+Perto”, um serviço que promete simplicidade: por um euro, os utilizadores podem chamar um táxi que os leva até um ponto com ligação a outros transportes.
Ver esta publicação no Instagram
“Não é um porta a porta, é um ponto a ponto”. Quem o explica é Teresa Stanislau, gerente da STCP Serviços, empresa que opera o novo serviço de mobilidade. Ainda num período inicial, o “+Perto” avança de forma tímida.
Até porque ainda há pessoas a associar o serviço ao táxi Saúde +65 ou a pensar que, ao chamarem o táxi do “+ Perto”, podem viajar para qualquer ponto da cidade. Mas o transporte a pedido funciona da seguinte forma: os passageiros fazem um pedido com pelo menos 20 minutos de antecedência e o táxi deixa-os no ponto intermodal mais próximo, num raio de 2,5 quilómetros.
A reserva, feita através da página de internet do “+ Perto” ou por chamada, só termina com o pagamento e que pode ser feita de três formas: por MB Way, por cartão ou por transferência bancária, esclarece Helena Alves, supervisora do serviço.
O serviço faz sentido?
Uma das grandes perguntas quando o serviço foi anunciado prendeu-se com a necessidade do novo modo de transporte a pedido na cidade que já está repleta de transportes.
Mas a gerente da STCP Serviços esclarece: “Nós percebemos que há muitos arruamentos onde o transporte público ainda não chega (...) Todas aquelas zonas que são mais estreitas ou mais íngremes, ou que estão precisamente entre a VCI e a circunvalação”.
E as reservas que já foram feitas desde o arranque do “+ Perto” refletem mesmo isso, uma vez que a maioria foi realizada a partir de zonas como Campanhã, “em zonas menos urbanas da cidade”, e também na zona da Foz do Douro e Nevogilde, justificado, por exemplo, pelas características das vias naquela área.
O serviço do “+ Perto” começa na sede do Geolink, que ladeia com o Estádio do Dragão, onde são recebidos todos os pedidos e encaminhados todos os táxis. No centro de operações,, o Porto Canal acompanhou o processo de uma das viagens, desde o início da reserva até ao fim da viagem e entrega do passageiro que a solicitou.
A juntar à utilidade para os passageiros, também os motoristas de táxi congratulam o “+ Perto”: É uma boa oferta para o utente porque tem possibilidade de ser transportado de um ponto a outro com alguma rapidez. A outra vertente será no serviço de táxi, que será mais um complemento para a faturação da empresa, digamos assim”, declarou o motorista de táxi Artur Dias.
Serviço alvo de mudanças
O primeiro ano do “+Perto” será de avaliação e adaptação. E nem um mês após ter sido lançado, o serviço já sofreu alterações.
Quando arrancou, a reserva tinha de ser assegurada quatro horas antes. O período foi reduzido para um mínimo de 20 minutos, concedendo uma diretriz mais imediata.
Também já houve munícipes a sugerir pontos que não tinham sido considerados numa fase inicial, apesar deste processo ter sido feito em parceria com todas as juntas de freguesia.
Em cima da mesa poderá estar uma possível mensalidade, a juntar ao cartão Andante, por exemplo, para os utilizadores mais frequentes do “+ Perto”.
