Espaço de coworking no Stop? Câmara diz que projeto está em curso
João Nogueira e Ana Francisca Gomes
Está a ser promovido um projeto de reabilitação para transformar o piso superior do Centro Comercial Stop, no Porto, num espaço de cowork para criativos. A informação foi avançada esta segunda-feira pelo presidente da autarquia portuense, Rui Moreira, e pelo vereador com o pelouro das Atividades Económicas, Ricardo Valente. Contudo, a solução preocupa os músicos.
Questionado pela vereadora eleita pela CDU Ilda Figueiredo sobre a situação da classificação do edifício na Rua do Heroísmo, Rui Moreira explicou que é uma “classificação complicada” por não compreender apenas o bem arquitetónico patrimonial da estrutura, mas sim as atividades culturais que lá se desenvolvem.
Pedido para dar mais pormenores sobre o processo, o vereador Ricardo Valente avançou que “há um projeto de reabilitação interno do Centro [Comercial Stop] muito interessante, que está a ser promovido pelos atuais proprietários, para transformar o centro num espaço de coworking do ponto de vista cultural”.
Rui Moreira acrescentou que o projeto poderá ganhar lugar numa “parte superior que é um espaço multiusos que é grande”. O espaço, que se subentende tratar-se da danceteria do shopping, é “grande” e útil para uma atividade que tem assistido a uma “grande procura na cidade”: “Permitiria juntar aquele ecossistema todos esses jovens que trabalhem em coworking”, sublinhou o presidente da Câmara do Porto.
Mas a solução não agrada os músicos que temem um aumento exponencial das rendas.
Em comunicado enviado em maio, a Associação Cultural de Músicos do STOP criticou a intenção da administração em fazer do Stop um edifício com lojas e serviços, além dos espaços para ensaios dos artistas. “Quem quiser ensaiar, terá de isolar, e bem isolado a sala em questão, ou então saiam daqui (...) Poucos terão a possibilidade de gastar 15 ou 20 mil euros para isolar o espaço”, pode ler-se no documento.
O Porto Canal contactou também a Associação ALMA Stop, mas não obteve resposta.
Em resposta à vereadora da CDU, Rui Moreira sublinhou: “Para aqueles que não possam aguentar o custo (da subida das rendas), temos a Pires de Lima”, esclareceu o autarca, referindo ainda que o município não pode controlar as rendas baixas.
O Porto Canal contactou a administração do Stop no sentido de esclarecer este projeto, mas não obteve resposta.
Não foi a primeira vez que o município admitiu a aquisição dos cinemas do Stop. De acordo com Ricardo Valente, falta resolver o litígio que envolve a saída de emergência para as traseiras do Stop e que segue em curso no tribunal, para ser dada ao município uma licença de utilização.
“Enquanto esta litigância não estiver resolvida, nós não sabemos se a saída vai ser feita onde está hoje, por trás, ou se será feita outra alternativa que está a ser estudada”, explicou o vereador.
Caso não chegue a bom porto este litígio, está em cima da mesa a abertura de um trajeto de emergência para a parte frontal do edifício, sacrificando uma das lojas.
