Aos 75 anos, Teatro Universitário do Porto reclama mais valorização e apoios

Aos 75 anos, Teatro Universitário do Porto reclama mais valorização e apoios
| Porto
Porto Canal / Agências

O Teatro Universitário do Porto (TUP), que assinala esta quarta-feira 75 anos de atividade ininterrupta, lamenta que o trabalho artístico da companhia seja desvalorizado pelas instituições e pela própria academia, de quem reclama mais apoios.

“O TUP fez muito pela arte e pelo teatro no Porto. A história do TUP é uma história que se confunde até com a da própria cidade e é uma história que consideramos que é desvalorizada e que raramente se conta”, lamentou a presidente do TUP, Sandra Pinheiro.

Numa conversa a propósito dos 75 anos da criação daquela companhia, Sandra Pinheiro não esconde alguma amargura. As dificuldades refletem-se na gestão do plano de atividades de orçamento reduzido, mas também no infortúnio de o TUP andar de malas às costas, de “sítio em sítio”.

“O último sítio onde estivemos - antes da Rua dos Bragas [atual sede da associação] - foi o Colégio Almeida Garrett que foi vendido pela Universidade [do Porto em 2018] para construir mais um hotel de luxo na cidade. E se é inegável o papel do TUP no desenvolvimento do teatro independente na cidade do Porto, então pensamos que o TUP devia ser mais valorizado e acarinhado pela cidade”, defendeu.

O edifício com entrada pela Praça Coronel Pacheco foi comprado pela empresa Real Douro em 2018, tendo as obras de ampliação para a construção de uma unidade hoteleira de quatro estrelas, com 190 quartos, arrancado em outubro.

Antes, o TUP já havia ocupado outros espaços, como na Travessa do Carregal e na Rua D. Manuel II. A ideia de casa própria é, contudo, algo para o qual continuam a trabalhar, mas para a qual, afirma, não tem havido muitas respostas.

“A ligação à Universidade do Porto [UP] existe, mas achamos que devia ser mais fomentada e o TUP mais apoiado pela universidade e pelas instituições no geral”, defendeu.

Enquanto associação juvenil, o TUP recebe apoios do Instituto Português do Desporto e Juventude e da Reitoria da UP, mas esses apoios são considerados insuficientes pela instituição.

“Temos conseguido sobretudo graças ao trabalho voluntário dos sócios e de outros que, por amor ao teatro universitário, trabalham muito e conseguem construir espetáculos com poucos recursos”, sublinhou.

A presidente do TUP acredita, no entanto, que é possível pensar o futuro da companhia que tem como “mais-valia” o seu “caráter não profissional e universitário” na génese da sua criação, permitindo-lhes “rasgar com hierarquias e convenções”.

Fundado a 13 de dezembro de 1948, por um grupo de estudantes de Medicina, sob orientação de Hernâni Monteiro, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, o TUP tem, até aos dias de hoje, desenvolvido a sua atividade sem interrupções, afirmando-se como um espaço de criação, pensamento livre, experimentação teatral por onde, entre outros passaram nomes como António Júlio, Victor Hugo Pontes, Cláudio da Silva ou Gonçalo Amorim.

É este caráter que está impresso na exposição comemorativa dos 75 anos patente ao público até 15 de dezembro na Galeria Geraldes da Silva.

“75 anos de Teatro Universitário do Porto – O TUP nos anos 70” é um regresso, como o nome indica, aos anos de 1970, com especial enfoque nos trabalhos que foram desenvolvidos antes, durante e depois da Revolução.

A exposição, explicou Sandra Pinheiro, pretende celebrar o TUP como um local de liberdade, experimentação e resistência, lembrando à cidade e às instituições o papel relevante da associação não só no panorama cultural, como na oposição à ditadura.

“É também um projeto que dá o mote para o nosso próximo espetáculo que [se] vai estrear a 18 janeiro de 2024 e que parte do arquivo do teatro e de uma peça que foi encenada em 74/75, e que aborda a luta dos operários da Marinha Grande”, adiantou.

No ano das comemorações, a formação continua a ser aposta da associação que tem em curso as inscrições para o Curso de Iniciação à Interpretação.

Aproveitando este marco na história da companhia, Sandra Pinheiro desafia a comunidade a aproveitar estas iniciativas para conhecer mais intimamente a associação, ajudando-a a pensar como pode, no futuro, “continuar a trabalhar com condições que sejam dignas e que permitam que o seu trabalho artístico seja fiel à sua história e ao que, há 75 anos, tem vindo a fazer pela cidade”.

“Apesar das dificuldades, temos conseguido fazer algumas das atividades que gostaríamos de fazer, mas não tem sido suficiente. Os próximos 75 anos só podem ser projetados com mais apoio, mais valorização do papel do TUP para a cidade e para a cultura”, alertou.

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