Gaia quer interface nos Carvalhos para rede UNIR no terminal da UTC

Gaia quer interface nos Carvalhos para rede UNIR no terminal da UTC
Ana Torres | Porto Canal
| Norte
Porto Canal / Agências

A Câmara de Gaia quer comprar ou arrendar à União de Transportes dos Carvalhos (UTC) o terminal da empresa, para construir no local um interface de transporte rodoviário de passageiros, disse à Lusa o presidente da autarquia.

"O nosso interface nos Carvalhos está pressuposto ser o interface atual da UTC. Estamos em negociações para arrendar ou comprar o terreno, e fazer lá o verdadeiro interface", disse esta quinta-feira à Lusa Eduardo Vítor Rodrigues, presidente da Câmara de Gaia e da Área Metropolitana do Porto (AMP).

Em causa está o suposto interface dos Carvalhos, um dos principais pontos de ligação, no sul da AMP, entre as linhas da nova rede metropolitana de autocarros denominada Unir, que arrancou na sexta-feira.

Na segunda-feira, primeiro dia útil de operação da Unir, rede que veio substituir os serviços de cerca de 30 operadores privados rodoviários na AMP, a Lusa constatou que os autocarros paravam num espaço em frente aos Bombeiros Voluntários dos Carvalhos numa zona que, na prática, é um parque de estacionamento para automóveis.

No local não há abrigos, não há os prometidos postaletes com números das linhas, não há sequer o sinal de trânsito azul informativo de que se está numa paragem de autocarro e as pessoas estão de pé. Os veículos têm até dificuldade em dar meia volta dentro do 'interface', tendo que fazer uma manobra para chegarem à suposta paragem.

Eduardo Vítor Rodrigues reconheceu à Lusa que "o que há nos Carvalhos não é verdadeiramente um interface, é uma solução provisória, transitória".

"Eu acredito que nas próximas semanas vamos ter o 'feedback' definitivo e vamos ou adquirir ou arrendar, e montar ali um verdadeiro interface, que seja uma coisa digna", disse à Lusa.

Segundo o autarca de Gaia, não foi possível comprar ou arrendar o atual espaço da UTC enquanto a empresa estava a operar no território.

"Até ao dia 30 de novembro, a UTC usava aquilo como seu interface, e não há maneira de, no dia 01 de dezembro, de repente 'tira uma coisa e mete outra', e de repente termos um interface agora da Câmara", justificou.

A nova rede de autocarros Unir está a "reformular e adequar" os horários dos lotes Norte Nascente, Sul Nascente e Sul Poente, segundo uma nota publicada no seu 'site'.

Numa publicação nas suas redes sociais, a marca da AMP já tinha referido que "está a acompanhar atentamente as situações que têm sido reportadas" para os seus canais de comunicação "e a trabalhar com os operadores de transporte parceiros e os municípios, no sentido de normalizar a operação nos 17 concelhos" da AMP.

Alguns autocarros ainda circulam com decorações antigas e sem a bandeira a funcionar, bem como sem o número de linha, mantendo-se a folha A4 a indicar o destino, como já acontecia com os anteriores operadores do serviço rodoviário de passageiros na AMP.

A Unir começou a operar na sexta-feira, substituindo os serviços efetuados pelos cerca de 30 operadores privados rodoviários na AMP, como por exemplo a Caima, Feirense, Transdev, UT Carvalhos, Gondomarense, Pacense, Arriva, Maré, Landim, Valpi, Litoral Norte, Souto, MGC, Seluve, Espírito Santo, entre outros.

No Porto e nos concelhos vizinhos, o serviço da STCP (Sociedade de Transportes Coletivos do Porto) mantém-se inalterado.

Toda a rede Unir, com 439 linhas, utilizará o sistema de bilhética Andante, e acaba com um modelo de concessão linha a linha herdado de 1948, já que o concurso público foi dividido em cinco lotes, ainda que todos operem sob a mesma marca.

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