“As minhas mãos são a minha boca”. Amélia é filha de pais surdos e a Língua Gestual é a sua paixão
Porto Canal
Foi há 26 anos, a 15 de novembro de 1997, que a Língua Gestual Portuguesa foi reconhecida enquanto língua da comunidade surda pela Constituição da República. Amélia Amil, intérprete de língua gestual, considera que todas as pessoas “deviam aprender a língua gestual porque é uma língua universal”.
Amélia é “filha de mãe e pai surdos” e revela que a sua língua materna é a língua gestual. A intérprete afirma que é um grande prazer representar a comunidade surda e sente “muito orgulho” em fazê-lo. “Tenho o melhor dos dois mundos pois sinto e vivo o mundo dos surdos, mas também sou uma ativista com tudo aquilo que tem haver com a língua gestual”, refere.
Ver esta publicação no Instagram
Para Amélia, ser intérprete de Língua Gestual Portuguesa já estava destinado. “É uma profissão de paixão, amor e ativismo na luta pelos direitos das pessoas surdas”. Defende ainda que a língua gestual devia começar a ser ensinada nas escolas portuguesas. “Os surdos nunca hão de ouvir, mas nós podemos aprender língua gestual e acho que assim o mundo seria bastante melhor”, afirma Amélia.
A intérprete de 63 anos vive com muita alegria todos os anos o dia 15 de novembro. Para Amélia, este Dia Nacional da Língua Gestual Portuguesa demonstra o respeito dos direitos das pessoas surdas e, muitas vezes, serve também de alerta para aquilo que ainda está por fazer.
“Este dia é importante porque serve para não nos esquecermos que a língua gestual é, de facto, uma língua de acessibilidade e saber também que há um direito na Constituição que não está a ser consagrado que é o direito ao acesso à língua gestual de forma gratuita por parte da comunidade surda. Em Portugal, os surdos têm de pagar a uma intérprete para ter acesso a língua gestual e isto não pode ser. A minha grande luta é esta”, conclui Amélia.
