Do CDUP para o mundo. A epopeia dos ‘lobos’ no Mundial de Rugby

Do CDUP para o mundo. A epopeia dos ‘lobos’ no Mundial de Rugby
| Desporto
Fábio Lopes

Após 16 anos de espera, a seleção nacional de Rugby voltou aos grandes palcos com a qualificação para o Mundial, disputado em França. Finalizada a aventura, os ‘Lobos’ trazem na bagagem uma histórica participação, coroada com o primeiro triunfo de sempre em Mundiais, diante das Ilhas Fiji, no jogo de despedida do grupo C, graças a um épico ensaio (e respetiva transformação) nos minutos finais.

Uma prova indelével da evolução da modalidade, no que concerne ao panorama nacional, e que dá bons indícios quanto ao futuro, que promete ser risonho para o conjunto luso. Dois dos protagonistas da epopeia portuguesa, Nuno Sousa Guedes e João Bello, atuam no CDUP Rugby, no Porto.

 
 
 
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Sonho tornado realidade

Portugal tinha falhado o apuramento para o Mundial, através do agregado de resultados dos Europe Championship de 2021 e 2022, mas obteve o direito a disputar a repescagem, no Dubai, após a Espanha ter sofrido uma penalização de 10 pontos por utilização irregular de um jogador.

A presença no Mundial de França foi carimbada a 18 de novembro de 2022, após um empate a 16 igual, frente aos Estados Unidos. Os Lobos só precisavam de empatar com a seleção norte-americana e alcançaram precisamente esse resultado, assegurando a presença no Campeonato do Mundo, pela segunda vez na história e 16 anos depois da primeira e última, em 2007. Um momento de exaltação das cores nacionais que assim tinham assegurado o tão aguardado regresso à maior e mais importante competição da modalidade.

“Foram demasiados anos a trabalhar para chegar a um momento destes. “Claramente foi o ponto alto e o ponto que vai ficar sempre na minha vida. Aí sim, foi, finalmente, o culminar e finalmente o alcançar do objetivo a que nos propusemos e vai ser sempre uma memória única”, afirma Nuno Sousa Guedes, em tom saudoso.

Com o nome já inscrito na história da modalidade, o conjunto liderado por Patrice Lagisquet não ficou por aqui e, ávido de mais conquistas, voltou a escrever nova página de história em território gaulês.

Depois de derrotas com País de Gales e Austrália, um empate com a Geórgia, eis que, contra a Ilhas Fiji (24-23), chegou a primeira vitória de sempre num Mundial para os Lobos.
“Se pensarmos onde é que a nossa seleção estava há cinco, seis anos, nunca ninguém diria que iríamos estar nesta posição agora”, sublinha João Bello.

Na antecâmara do derradeiro encontro, os treinadores da seleção portuguesa foram 'avisando' que os 'lobos' tinham de fazer um jogo quase perfeito para chegar ao final em condições de poder disputar a vitória, ao contrário do que aconteceu nas derrotas contra País de Gales (28-8) e Austrália (34-14). E frente à equipa fisicamente mais poderosa do grupo, a seleção portuguesa conseguiu equilibrar as estatísticas e apresentou-se em excelente nível, eternizando a partida como a mais gloriosa da sua história.

“Eu acho que o objetivo principal e aquilo que trazíamos como maior vínculo era um bocadinho, mostrar ao mundo que em Portugal se joga bom rugby. E nós próprios sabíamos que ia ser complicado. Íamos apanhar as melhores equipas do mundo, mas ao mesmo tempo, lá está, ter esta loucura e tentar chocar o mundo e conseguimos no último jogo, foi a cereja no topo do bolo”, frisa Nuno Sousa Guedes, atleta do CDUP.

“Trabalhámos todos muito especialmente quem está cá em Portugal, que sente que tem que abdicar de tanta coisa. Pronto, e acho que foi uma construção até o jogo das Fiji em que finalmente conseguimos a primeira vitória no Mundial e é um orgulho enorme no grupo”, vinca João Bello, que se mostra profundamente “orgulhoso” do trajeto desbravado pela equipa nacional.

Assim, pela primeira vez no França2023, soou o 'Somos Lobos' após o apito final, a música oficial da seleção portuguesa, da autoria dos Xutos e Pontapés para pontuar a festa portuguesa que estalou de imediato no relvado do Stadium de Toulouse.

Portugal despediu-se da sua segunda participação em Mundiais com seis pontos, fruto de uma vitória, um empate e duas derrotas, no quarto lugar do grupo C. Ainda assim, os valentes ‘lobos’ deixaram sempre uma imagem positiva, de grande luta, competitividade e resiliência, sempre de mãos dadas com os milhares de portugueses que preencheram as bancadas em cada um dos jogos da Seleção.

“A maneira como foi vivido em França o Mundial todos os estádios cheios de portugueses, trouxe-nos uma alma maior do que aquela que já que já tínhamos dentro de nós”, diz Nuno Sousa Guedes, pleno de emoção e gratidão para com os adeptos lusos, que receberam, de forma apoteótica a comitiva nacional na chegada a solo português.

Os olhos estão agora postos no futuro e na consolidação e “materialização” da modalidade e dos frutos colhidos no Mundial de França. “No fim das contas, o objetivo é só esse conseguirmos agora crescer nesta base que este grupo conseguiu criar”, remata João Bello.

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