Existe relação entre fármacos para perder peso e ideação suicida? Há um caso suspeito em Portugal
Porto Canal
O Infarmed está a participar na investigação conduzida pelo Comité de Avaliação de Segurança da Agência Europeia de Medicamentos para avaliar a possível relação entre o semaglutido, de nome comercial Ozempic, e liraglutido (Saxenda) e relatos de ideação suicida ou de autoagressão, possíveis efeitos adversos que não aparecem nas bulas destes medicamentos.
Estes fármacos vendidos em caneta injetável estão indicados para o tratamento de diabetes tipo 2 mas, nos últimos tempos, transformaram-se num sucesso de vendas nos países ocidentais por estarem a ser muito usados para a perda de peso. Em Portugal, o semaglutido tem sido bastante procurado, o que levou a estar esgotado constantemente nas farmácias.
O Infarmed adiantou ao jornal Público que participa nesta avaliação e revelou que está registado no portal nacional, para notificação de reações adversas (portal RAM), “um caso de suspeita de ideação suicida que também fará parte dos dados em avaliação europeia”.
A revisão dos dados sobre os riscos destes medicamentos foi anunciada no início desta semana pela Agência Europeia de Medicamentos, que explicou que a investigação foi desencadeada pela agência europeia de medicamentos islandesa na sequência de relatos de ideação suicida e de autoagressão em pessoas que usam os fármacos liraglutida e semaglutido. Até ao momento, a Agência refere que as autoridades estão “a analisar cerca de 150 relatos de possíveis casos de autoagressão e pensamentos suicidas”.
Em Portugal, o semaglutido tem sido bastante procurado, o que têm registado sucessivas ruturas de abastecimento. As prescrições aumentaram de tal forma que, em dezembro de 2022, o Infarmed emitiu uma circular limitando a comparticipação desta classe de medicamentos apenas a diabéticos tipo 2 com índice de massa corporal acima de 35 Kg/m2, isto é, já com obesidade de grau 2.
