Tradição do alho porro no S. João tem vindo a perder-se
Joana Almeida Carvalho
O alho porro é uma das tradições que se tem vindo a perder na noite de São João, já que tem sido substituído pelos martelos de plástico. Ainda assim, há quem o continue a produzir e tente manter a tradição viva ao longo dos anos.
A tradição do alho porro é anterior à Era Cristã. Foi a partir do século XIX, quando existiam muitos terrenos abandonados à volta da cidade do Porto, que o famoso alho porro foi crescendo.
Na noite de São João, as pessoas colhiam um alho e batiam com ele na cabeça de quem se cruzavam, como uma forma de saudação.
Ao Porto Canal, Amélia Oliveira, produtora na zona de Gondomar, explicou que se trata de uma “cultura que demora cerca de dois anos a ser produzida”. Além disso, referiu também que esta é uma tradição que se tem vindo a perder ao longos dos anos, devido à maior procura que tem existido pelos "martelinhos" de plástico.
Os martelos de São João nada têm a ver com o mau olhado, já o alho porro, há quem diga que afasta as maldades e as invejas. Mito ou não … o melhor mesmo é não fugir dele na noite de São João.
“O alho porro serve para darmos a martelada no arraial de São João e depois para levar para casa para colocarmos atrás da porta para afastar os maus olhados”, explica Amélia com um grande sorriso.
No viveiro que pertence à família de Amélia são produzidos cerca de 200 a 300 alhos porro por ano. Trata-se de uma planta que, alerta, nada tem a ver com o alho francês ou o alho seco utilizado na gastronomia.
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