Deco garante que não faria sentido o jogo de despedida não ser no Porto

Deco garante que não faria sentido o jogo de despedida não ser no Porto
| FC Porto
Porto Canal com imagem de fcporto.pt

Quase um ano depois de ter anunciado o final da carreira de futebolista, Deco está de regresso a Portugal, para um jogo de despedida, que antecipou como "uma festa bonita para quem gosta de futebol".

O antigo médio vai reunir esta sexta-feira no relvado do Estádio do Dragão, no Porto, amigos e ex-companheiros com quem partilhou dois momentos especiais: a conquista da Liga dos Campeões Europeus pelo FC Porto em 2004 e o mesmo feito com as cores do FC Barcelona em 2006.

"O FC Porto foi clube em que eu passei mais anos, onde a minha carreira deu um salto para outro nível, e que, depois, me abriu as portas do Barcelona e da seleção Portuguesa. Não faria sentido que este jogo pudesse ser feito em outro local que não no Porto", disse antigo camisola 10.

Entre os craques que participarão na festa de Deco, contam-se vários jogadores emblemáticos dos "dragões" como Vítor Baía, Jorge Costa, Maniche, Benny Mcharthy, Derlei e muitos outros, enquanto a parada de estrela que vai envergar a camisola do Barcelona tem como cabeça de cartaz Messi, mas também são esperados Xavi, Iniesta, Ronaldinho ou Eto'o.

"Foi difícil conseguir encontrar calendário, porque há jogadores que ainda estão no ativo e outros que já acabaram mas agora são treinadores. Foi complicado, mas consegui reunir um bom grupo", disse Deco, que viu as portas do Estádio do Dragão serem abertas para este jogo pelo presidente do FC Porto.

Deco lembrou que a sua "relação com o presidente Pinto da Costa foi sempre muito especial".

"Tenho por ele uma grande amizade e respeito. Quando lhe falei deste jogo houve logo disponibilidade. Ele tem consciência que a história de um clube também é feita pelas pessoas que passam e deixam a sua marca", confidenciou.

Relação especial é também com o argentino Leonel Messi, a quem Deco se refere como "um amigo".

"Há jogadores com quem tive uma ligação diferente, uma maior afinidade. O Messi é um deles, é um amigo. Se tivermos uma boa postura na carreira as pessoas vão sempre demonstrar um carinho e uma amizade especial. E isso é fantástico", afirmou.

Mais relutante mostrou-se, quanto à forma física de alguns dos antigos craques que vão participar neste seu jogo de despedida.

"De mim pode esperar muito, agora da equipa do Porto de 2004 temos de ver... Não sei como estará o Benny Mcarthy ou Alenitchev, se vêm magrinhos ou inchados" disse, bem-disposto, o luso-brasileiro, prometendo "uma festa bonita para quem gosta de futebol e uma oportunidade para os adeptos do FC Porto verem uma equipa que tantas alegrias deu há 10 anos".

"É natural que se fale na renovação da seleção" - Deco

Deco, ex-internacional português, considera ser "natural que se fale de renovação" na seleção lusa de futebol, mas não vê que tal deva acontecer apenas devido à prestação menos conseguida no Mundial2014, no Brasil.

"A renovação de uma equipa é um processo natural. Hoje fala-se mais disso quando se perde, mas não é nada de especial. Se assim não fosse, ainda estaria eu, o Figo, o Rui Costa ou Pauleta a jogar na seleção. Temos de encarar isso com naturalidade", disse o antigo médio.

Deco refere que, "ao contrário da maioria", sempre achou que "a fase de grupos seria complicada para Portugal".

"Tínhamos no primeiro jogo uma Alemanha muito forte, e a derrota acabou por condicionar a segunda partida, frente aos Estados Unidos que teve uma boa prestação. Talvez não esperássemos que não vencêssemos esse jogo, mas sempre soube que seria um grupo difícil", analisou.

Agora na pele de adepto, Deco confessou que "sofre ainda mais" a ver os jogos da seleção.

"Sofro bastante, até porque ainda estão a jogar alguns amigos como o Cristiano, Bruno Alves, Pepe, Raul Meireles. Por isso, além da seleção em si é uma questão de amizade que me faz sofrer ainda mais", afiançou.

Deco guarda momentos muito especiais das suas 75 internacionalizações por Portugal, mas depois de uma carreira recheada de troféus a nível de clubes, terminou a carreira com uma mágoa.

"A única coisa que faltou foi um título importante na seleção. Tivemos perto, mas infelizmente não foi possível", lamentou.

Apesar de agora ter residência fixa em São Paulo, no Brasil, Deco não deixa de acompanhar o futebol português, não disfarçando o enorme carinho pelo "seu" FC Porto, equipa em quem deposita grandes esperanças na nova época

"É uma equipa que precisa de se reinventar e voltar a vencer. Tem feito muitas contratações para recuperar alma, agora com um novo treinador jovem e com boas ideias. Tem tudo para fazer um ano bom, apesar do Benfica continuar a forte. Vamos ver, mas julgo que o FC Porto, pela história e qualidade, consegue sempre dar a volta aos momentos menos bons", analisou

O ex-jogador dos "dragões" considerou que é importante para o futebol nacional que o campeonato continue a ter um bom nível de competitividade.

"Também é bom ver que Sporting está recuperar das dificuldades que passou. O futebol português sempre foi visto como uma montra de talentos, e precisa de uma boa competitividade entre os clubes para ser mais forte e evoluir", vincou.

"Vir a Portugal e ao Porto é como regressar a casa" - Deco

Os oito anos que Deco passou no futebol português marcaram o ex-jogador para sempre e o carinho que o brasileiro "adotado" por Portugal tem pelo país faz com que cada regresso "seja um momento de grande felicidade"

"A minha ligação ao Porto não é só ao clube. Tem a ver com a cidade, as pessoas, os grandes amigos que cá tenho, e até pela maioria dos meus filhos terem nascido neste país. Por isso, quando chego a Portugal e ao Porto sinto-me em casa", partilhou o ex-jogador.

Deco alinhou nas últimas épocas da sua carreira futebolística no Fluminense, emblema do Rio de Janeiro, numa decisão que se deveu a motivos pessoais, e que condicionaram um eventual regresso ao FC Porto.

"Acabei por voltar ao futebol brasileiro por questões pessoais, que condicionaram as minhas escolhas. Podia ter voltado ao FC Porto, mas as coisas não caminharam nesse sentido, porque não tive opção", confessou.

Sem opção foi também o fim da carreira, aos 36 anos, com o corpo, mas também a mente, a não permitirem que pudesse prolongar a sua estada pelos relvados.

"Não consigo fazer as coisas mais ou menos, ou faço bem ou não vale a pena. Quando fiquei mais velho, o jogo em si é que me continuava dar prazer, mas os treinos eram cada vez mais difíceis. O tempo que passava longe da família e as consecutivas lesões não deram mais para continuar", afirmou.

O ex-médio ainda pensou "continuar a jogar num outro lugar, com um ritmo menor", mas considerou que "não iria ser feliz e fazer o que gostava".

Agora, na pele de Anderson Luís de Souza, o antigo jogador diz estar "a recuperar o prazer de estar com a família nas férias e nos fins de semana", mas também a reorganizar a sua vida depois de tantos anos apenas dedicado ao futebol.

"Estou a tomar o controlo da minha vida, porque sempre deleguei as coisas. E agora estou a organizar-me e perceber o que quero fazer", disse.

Por enquanto, Deco tem feito alguns trabalhos no campo do agenciamento, com o empresário Jorge Mendes, mas também se tem envolvido em projetos de consultadoria, um desafio que o tem cativado.

"Temos feito um trabalho no Gabão, a ajudar a criar uma liga profissional e um projeto com federação local, para qualificar a seleção para o próximo mundial. Já levámos o Jorge Costa para lá, mas há ainda um trabalho de muita formação a fazer para termos resultados", partilhou.

Certo é que um cargo como treinador não é, por enquanto, algo que seduza Deco.

"Estive muitos anos no futebol, que me deram muita experiência, mas acho que tenho de me formar e aprender para continuar nesta área. Agora começou outra fase da minha vida, e quero estar bem preparado para isso. Não tenho pressa em fazer algo só para dizer que continuo ligado ao futebol", partilhou.

 

 

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