Classificação de Magnólia centenária no Porto em risco. Família está contra

Classificação de Magnólia centenária no Porto em risco. Família está contra
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A intenção é proteger a Magnólia denudata escondida na Rua de S. Vicente, no Porto. O escritor Afonso Reis Cabral propôs a classificação da árvore centenária pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) mas há uma família que está contra. O ICNF aguarda um parecer do departamento jurídico para decidir.

O escritor Afonso Reis Cabral cresceu a olhar para a Magnólia que floresce a cada início do ano. Antes de se mudar para Lisboa, aos 18 anos, era pela janela de casa que contemplava a árvore “sublime”. Hoje, aos 32 anos, quer que seja preservada pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

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Em março de 2022, Afonso Reis Cabral candidatou a Magnólia à classificação pelo ICNF como árvore de interesse nacional. Com o apoio de alguns moradores, fez chegar o pedido ao Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta que teve o mesmo entendimento. A árvore cumpre todos os requisitos legais necessários à classificação devido à sua “raridade e beleza”.

A polémica surge depois. O ofício, enviado a todos os proprietários, foi rejeitado por uma das famílias que detinha os terrenos antes da construção do prédio e que hoje detém frações do prédio.

Contactada pelo Porto Canal, Manuela Couto Soares, um dos elementos da família que se opôs à ideia de classificação, diz que “a decisão cabe agora ao ICNF, mas que a intenção de rejeitar o pedido se mantém”. Manuela Couto Soares justifica a decisão pelo facto de a magnólia “não correr nenhum risco” e de a proteção estar assegurada “com ou sem classificação”.

Uma espécie incomum com características “raras”

Segundo Cláudia Fernandes, arquiteta paisagista e professora na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, a Magnólia denudata situada na Prelada, no Porto, reúne características diferenciadoras que a tornam rara no país. “Esta árvore tem uma arquitetura da copa quase perfeita, muito bela, que resulta do facto de não ter sido podada, o que é raríssimo nas nossas cidades. Esta magnólia reúne várias características notáveis em simultânea. É uma árvore de grande dimensão, é centenária que pertence a uma espécie que não é comum", explica Cláudia Fernandes

Na opinião da professora, o facto de se localizar num terreno privado torna a classificação ainda mais necessária. “São árvores que estão muitíssimo vulneráveis àquilo que seja à vontade dos proprietários e este tipo de classificação é uma mais valia para as propriedades, acrescentam valor aos terrenos”.

A Magnólia denudata deverá ter mais de 130 anos. Através de uma imagem aérea de 1939, foi possível verificar que a árvore já existia à altura e, “devido ao tamanho da copa há 84 anos”, é possível estimar a sua longevidade.

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ICNF aguarda parecer jurídico

O processo, que decorre há cerca de um ano, está ainda a decorrer. Em fase de audiência prévia dos interessados, o ICNF aguarda um parecer jurídico para prosseguir com o pedido. “Os interessados são as autarquias, os condóminos e os requerentes da classificação. Neste momento estamos a aguardar um parecer do departamento jurídico uma vez que uma família se pronunciou contra”, explica Rui Queirós do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.

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A cidade do Porto tem 280 árvores classificadas como arvoredo de interesse público mas nenhuma delas pertence à espécie Magnólia denudata.

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