Boston Consulting Group confirma. PJ esteve nos seus escritórios em Lisboa

Boston Consulting Group confirma. PJ esteve nos seus escritórios em Lisboa
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Porto Canal / Agências

A Boston Consulting Group (BCG) disse esta quarta-feira que a Polícia Judiciária esteve no seu escritório em Lisboa, confirmando notícias que davam conta da realização de diligências pelas autoridades também na consultora.

"Confirmamos que a Polícia Judiciária esteve presente no escritório em Lisboa. É política da BCG cooperar com as autoridades", disse fonte oficial em resposta escrita à Lusa, acrescentando que, uma vez que se trata de uma investigação em curso, a consultora não pode "fazer mais comentários".

Antes, já o EuroBic tinha dito que a sua sede em Lisboa tinha sido alvo de diligências.

“Na sequência das notícias vindas a público, o EuroBic comunica que foram hoje realizadas diligências judiciais na sua sede”, refere fonte oficial da instituição bancária numa resposta por escrito à Lusa, salientando que está “legalmente vinculado a não adiantar quaisquer informações sobre as mesmas”.

Ainda assim, acentua a mesma fonte oficial, “tal facto não impede o EuroBic de reafirmar a sob posição de completa cooperação e ‘full disclosure’ [completa transparência] relativamente às autoridades judiciais”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou buscas do Ministério Público (MP) a empresas de consultadoria e a uma entidade bancária, a pedido das autoridades angolanas.

“Confirma-se a realização de buscas em execução de pedido de cooperação judiciária internacional recebido das autoridades angolanas. As diligências têm lugar em empresas de consultoria e numa entidade bancária e são dirigidas pelo Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP)”, respondeu a PGR à agência Lusa.

O pedido surge na sequência de notícias do Observador e da Visão, que dão conta de que a PJ fez, no início desta semana, buscas em Lisboa, às consultoras BCG e Pricewaters Coopers (PwC) e ao banco Eurobic.

A Lusa questionou também a PwC sobre estas buscas e não obteve resposta.

Segundo informações recolhidas pela Visão, estas diligências foram realizadas a pedido das autoridades angolanas no âmbito da investigação a Isabel dos Santos, empresária que, apesar do mandado internacional de captura emitido pela Interpol, continua a partilhar nas redes sociais a sua vida quotidiana no Dubai.

A Visão adianta que a carta rogatória enviada pela Procuradoria-Geral da República angolana para a congénere portuguesa solicitava a apreensão de documentos nas duas consultoras, entidades que, segundo a investigação angolana, apenas terão servido para o desvio de dinheiro da Sonangol.

Por sua vez, nos processos em Portugal, a empresária tem alegado que ambas as consultoras prestaram, efetivamente, serviços à petrolífera angolana no âmbito de um processo de reestruturação levado a cabo durante o seu mandato.

O universo de investigações a Isabel dos Santos, em Portugal, não se circunscreve ao alegado desvio de fundos da Sonangol. Ao todo, correm 17 processos contra a empresária angolana, escreve a revista, adiantando que, segundo fonte judicial, o resultado destas investigações deverá, em grande parte, ser remetido para Angola, país onde terão ocorrido os crimes precedentes ao branqueamento de capitais de que Isabel dos Santos é suspeitas em Portugal.

Em dezembro de 2022, o Tribunal Supremo angolano determinou o arresto preventivo dos bens de Isabel dos Santos, avaliados em mil milhões de dólares (941 milhões de euros), nomeadamente 100% das participações sociais da empresa Embalvidro, onde a arguida é beneficiária efetiva.

Segundo o acórdão, revelado pela agência Lusa, a câmara criminal do TS referiu que o arresto abrangia também a todos os saldos bancários de depósitos à ordem tituladas ou co-tituladas, sediadas em todas as instituições bancárias, incluindo as contas de depósito a prazo, outras aplicações financeiras que estejam associadas ou dossiês de títulos em nome de Isabel dos Santos.

O despacho do supremo tribunal angolano, datado de 19 de dezembro de 2022, indicou que, entre os bens indicados a arrestar, estão 70% das participações sociais na empresa UPSTAR Comunicação que a “arguida é beneficiária efetiva”.

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