Iniciativa Liberal: eleições internas em janeiro, quem ocupa lugar aquecido de Cotrim Figueiredo?
Porto Canal
Depois da saída repentina de João Cotrim Figueiredo da liderança do partido, está em marcha a corrida para ocupar o seu lugar, já disputado por dois libeirais: Rui Rocha e Carla Castro, ambos deputados e membros da atual comissão executiva. A corrida termina em janeiro de 2023, estando as eleições marcadas para os dias 21 e 22, mas não está, de todo, fechada: apesar de os dois atuais candidatos serem os nomes liberais mais fortes, há a possibilidade de haver um terceiro candidato.
Por isso, para já, está tudo em aberto para as eleições da IL. Isto porque embora, para já, só existam dois candidatos à Comisão Executiva, que decide o líder do partido, o cabeça da lista B para o Conselho Nacional, Nuno Simões de Melo, já admitiu a possibilidade de apresentar uma "terceira via".
Rui Rocha foi o primeiro liberal a apresentar candidatura à liderança do partido e, logo depois, Cotrim Figueiredo assumiu o deputado como o seu candidato. E, por isso, as eleições pareciam simples, sendo o primeiro candidato o que seguia a linha de sucessão, sinónimo da continuidade do caminho seguido até então pelo ainda presidente do partido.

No entanto, quando, mais tarde, chegou a candidatura de Carla Castro, iniciou-se a verdadeira disputa interna e o partido está agora dividido entre dois liberais que, aparentemente, faziam parte da mesma equipa e da mesma linha de Cotrim Figueiredo. Embora sejam os dois deputados e membros da Comissão Executiva, para as eleições internas há, oficialmente, dois caminhos a seguir: ou o da continuidade do trabalho do líder do partido, onde assenta grande parte da estrutura liberal, ou o da rutura, apresentado por Carla Castro.
Incialmente, quando Carla Castro se apresentou na corrida à liderança do partido, pensava-se que a mesma tivesse abertura para negociações com a lista B, que se apresenta para o Conselho Nacional e que tem uma das linhas de pensamento mais conservadoras do partido. Os liberais clássicos viram, inicialmente, a candidatura da liberal como uma "lufada de ar fresco", reforçando que tinham desenvolvido um "diálogo com a candidata com vista à construção de uma plataforma de entendimento entre as duas listas" e à "incorporação" das ideias no programa. Por isso, numa primeira instância, e acreditando que iriam existir negociações com a candidata à liderança do partido, a lista afastou a hipótese de avançar para um cargo executivo. Um cenário que, agora, parece estar cada vez mais perto de acontecer.
A candidata acabou por fechar portas às negociações com Simões de Melo, garantindo que não está "em negociações com nenhuma lista". "Estou a montar a equipa e o programa. Os liberais que se revejam neste projeto, nesta forma descentralizada de gerir o partido, com colaboração e nos valores em que nos revemos, são bem vindos. Mas têm de respeitar esta matriz".

Confrontado com esta recusa, que não era expectável para a lista B, Simões de Melo acabou por admitir a possibilidade de apresentar uma terceira alternativa para a corrida à liderança do partido. "Perante esta inércia, é esta a altura para dar a cara e a Lista B nunca se demitirá da responsabilidade de assumir uma posição clara face aos temas importantes para o partido e para o país, estando, por esta mesma razão, e até declaração em contrário, em cima da mesa a possibilidade da Lista B poder apresentar uma ‘terceira via’ à Comissão Executiva." Nuno Simões de Melo acredita que não pode “perder a oportunidade de demonstrar que a Iniciativa Liberal é um partido aberto a todos e que se preocupa com todo o país e não apenas o Porto e Lisboa”.

As eleições que pareciam ser renhidas entre os dois candidatos com os nomes mais fortes do partido, podem estar perto de reunir mais um nome, que terá de ter - e essa poderá ser a maior dificuldade - o mesmo peso no seio dos liberais como tem Rui Rocha e Carla Castro.
Com um calendário mais alargado do que seria expectável, uma vez que a convenção eletiva estava inicialmente marcada para dezembro mas foi adiada para janeiro, as eleições podem, pelo menos para já, seguir três caminhos, depois de o partido ter perdido o presidente que levou ao sucesso eleitoral e a eleição de oito deputados: o da continuidade, apostanto em Rui Rocha que é o candidato apoiado por Cotrim Figueiredo, o da rutura, com a candidatura de Carla Castro que se quer afastar da corrente atual, ou o dos "liberais clássicos", que procuram mais espaço para eles próprios, caso a equipa de Nuno Simões de Melo chegar, efetivamente, a apresentar uma terceira opção para as internas da Iniciativa Liberal.
