Mais de dois mil alunos aguardam por exame de condução no distrito do Porto
Porto Canal
Até 1 de outubro, o IMT registou 2.129 exames de condução pendentes na região do Porto. Do total de alunos aguardar a marcação da prova, mais de 400 estão à espera há mais de três meses. Entre os motivos para o problema estão os atrasos provocados pela pandemia e a falta de examinadores. A solução das escolas de condução tem sido recorrer, cada vez mais, aos operadores privados, mas também esses dizem estar a ficar pressionados.

Estatísticas de provas pendentes no distrito do Porto. Fonte: IMT
Na Escola de Condução de Campanhã, a poucos metros da estação ferroviária, o Sr. Joaquim espera a chegada de mais uma aluna para uma aula prática. Está atrasada, mas o proprietário do espaço acredita que ainda vai chegar. O episódio assemelha-se à realidade da marcação dos exames de condução no distrito do Porto. Mesmo atrasados, vão sendo marcados, mas dificultam e muito o trabalho das escolas. O Sr. Joaquim prefere, por isso, recorrer aos privados. “Eu já trabalho muito pouco com o IMT, precisamente por causa dos atrasos. Como nos obriga a outro tipo de organização administrativa, prefiro trabalhar com o ACP (Automóvel Clube de Portugal)”, explica.
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Apesar disso, na Escola de Condução de Campanhã, são sempre os alunos que escolhem em que centro de exames querem realizar a prova prática. “Sempre que há um estudante que faz uma inscrição, nós pomo-lo ocorrente da situação e ele decide se quer ir para o IMT ou para o ACP”, explica Joaquim Mendes. “Por norma, o aluno já chega a dizer que quer fazer exame no ACP, porque sabe que do outro lado é mais difícil”, revela o proprietário da escola.
Mas a dificuldade está apenas no tempo que demora a marcação da prova e não no exame em sim. As escolas ressalvam que não há diferenças na exigência das provas, consoante o local em que são feitas.
Em suma, “é tudo uma questão de organização, porque se o ACP consegue, o IMT também devia conseguir. É função pública…”, remata Joaquim Mendes.
“A pandemia não pode ser desculpa para tudo”
De Campanhã conduzimos até ao Bonfim. Pouco mais de cinco minutos separam a escola do Sr. Joaquim da Escola de Condução França, gerida por Marco Ferreira. A reposta à primeira pergunta do Porto Canal está na ponta da língua: “os atrasos para os exames práticos rondam os três meses.” Para o responsável do estabelecimento “é muito tempo, porque torna-se difícil gerir o ensino e, sobretudo, as expectativas dos alunos, que querem tirar a carta o mais rápido possível”.
Quanto aos motivos para os atrasos, Marco Ferreira aponta a pandemia, mas explica que “neste momento já se devia ter tentado regularizar a situação”. “A pandemia não pode ser desculpa para tudo”, conclui. A alternativa? “As entidades privadas, mas tendo em conta o número de escolas existentes, se todos os candidatos pretenderem fazer exame no ACP, também eles ficam numa situação complicada.”
Alunos inscritos em 2018 ainda têm licença de aprendizagem válida
Em entrevista ao Porto Canal, Luís Figueiredo, diretor comercial e de marketing do Automóvel Clube de Portugal, revela que a entidade tem sentido “um grande aumento de procura”. A resposta tem sido “marcar exames a partir das 8h da manhã”.
O ACP aponta alguns fatores para os atrasos verificados nos exames de condução. “A pandemia veio trazer a necessidade do transporte individual”, ou seja, explica Luís Figueiredo, ao mesmo tempo em que começaram a encerrar as escolas de condução, houve um aumento da procura. “Ao mesmo tempo, quando as escolas começaram a abrir, o IMT alargou as licenças de aprendizagens por mais dois anos”, o que faz com que haja alunos inscritos em 2018 que podem ainda não ter concluído o processo.
Luís Figueiredo, diretor comercial e de marketing do Automóvel Clube de Portugal
Além disso, o ACP refere como possível problema a mudança das regras para a renovação da carta de condução. “Antes a carta caducava apenas aos 65 anos, mas agora é necessário fazer uma revalidação aos 50, aos 55 e aos 65”, explica Luís Figueiredo. Ou seja, verifica-se um aumento do número de alunos autopropostos para exame prático, cujo único objetivo é regularizar a sua situação junto do IMT.
“Se conhecer algum examinador, faça-nos chegar o currículo”
A falta de examinadores é, aparentemente, outro problema do setor. Aliás, o Automóvel Clube de Portugal diz estar a recrutar, para conseguir responder ao aumento da procura e aos atrasos do IMT. “Neste momento estamos à procura de novos examinadores, por isso se conhecer algum agradeço que nos faça chegar o currículo”, ironiza Luís Figueiredo, que explica que o ACP já aumentou o número de examinadores para o dobro e, mesmo assim, não foi suficiente para responder às necessidades.
A questão é: estará também o IMT à procura de novos examinadores? Contactado pelo Porto Canal, o organismo tutelado pelo Ministério das Infraestruturas e da Habitação não prestou ainda esclarecimentos.
