Emprego Interior Mais: Medida do Governo falha em atrair pessoas
Porto Canal
A medida do Governo para atrair trabalhadores para o Interior tem quase dois anos mas, até agora, conta com pouco mais de mil candidaturas.
O apoio do Emprego Interior Mais pode chegar aos cinco mil euros por trabalhador.
A medida foi designada de Emprego Interior MAIS - Mobilidade Apoiada para Um Interior Sustentável.
Ficou definida por portaria de julho de 2020, consistindo num apoio financeiro direto de mais de 2 mil e seiscentos euros, a que acresce um aumento de 20 por cento por cada elemento do agregado familiar e ainda uma comparticipação do custo de transportes de bens. No total, o apoio pode atingir um valor máximo de 4.827 euros.
Estão entre os destinatários da medida do Governo que decidam mudar-se para o Interior do País trabalhadores ao serviço de outrem ou que criem o próprio emprego ou empresa no território onde vão instalar-se.
O Emprego Interior Mais foi, entretanto, alargado a quem estiver inscrito no Instituto de Emprego e Formação Profissional e a cidadãos estrangeiros que se fixem diretamente nestes territórios. O apoio estende-se igualmente a quem se deslocar para o interior em teletrabalho, assim como os emigrantes que tenham saído de Portugal depois de 2015 e que tenham residido pelo menos um ano no estrangeiro. Neste caso, o valor do apoio pode subir para os 7.600 euros.
Quase dois anos depois de a medida ter entrado em vigor, os únicos dados tornados públicos, têm data de 9 de dezembro de 2021 e demonstram um número total de candidaturas que não chega às 800, abrangendo 1.380 pessoas, incluindo, além dos candidatos, membros do agregado familiar. Destas, 710 pessoas já estão a viver e a trabalhar no Interior do País.
Os números mais recentes foram obtidos pelo Porto Canal, junto da secretaria-geral do Ministério do Trabalho que, por mensagem, fez saber que a 8 de junho de 2022, há 1.052 candidaturas que vão colocar mais de 1.800 pessoas no Interior do País. 1078 já se instalaram nesses territórios. Metade das quais deslocou-se para distritos da Guarda, Castelo Branco, Portalegre e Beja.
Quanto ao perfil de quem aceitou este desafio para se fixarem em territórios do Interior:
69 por cento vão fazê-lo por conta de outrem e 31 por cento por própria conta e risco. A maioria dos candidatos tem formação ao nível do ensino superior e, em 45 por cento dos casos, as idades variam entre os 25 e os 34 anos.
São dados do Emprego Interior Mais. Uma medida lançada há quase dois anos, mas que para já não foi muito além das mil candidaturas.
