Hospital de Vila Real acompanha há 20 anos doentes transplantados
Porto Canal / Agências
Vila Real, 27 mar (Lusa) -- O Hospital de Vila Real dispõe de consulta para transplantados renais há 20 anos, tornando-se na primeira unidade descentralizada do país a fazer um acompanhamento aos pacientes que evita grandes despesas e deslocações.
Na semana passada, especialistas em transplantação denunciaram casos de doentes que, por não terem dinheiro para os transportes, optam por continuar em hemodiálise em vez de receberem um rim, o que fica mais caro para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Há 20 anos que o serviço de nefrologia do hospital de Vila Real, inserido no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), acompanha doentes transplantados renais.
Para ali vão, segundo a responsável pelo serviço, a médica Teresa Morgado, pacientes dos distritos de Vila Real, Bragança e concelhos do Douro Sul, evitando deslocações para os hospitais Porto, Coimbra ou até mesmo Lisboa.
"Estas questões da deslocação de doentes para o hospital que pode acompanhá-los são muito importantes. É um benefício para os doentes uma aproximação da resposta hospitalar", afirmou hoje a especialista aos jornalistas.
A médica destacou que este hospital, localizado fora dos grandes centros urbanos, foi o primeiro do continente onde foi criada esta consulta de acompanhamento de transplantados renais. Há três anos, este serviço passou a estar disponível também em Castelo Branco.
Neste momento, segundo salientou a especialista, a unidade hospitalar transmontana possui 160 pacientes ativos (em acompanhamento). Em duas décadas, foram aqui seguidos 250 doentes.
Bruna Xavier, 31 anos e transplantada renal há 15 anos, tem de repetir a viagem de cerca de 150 quilómetros de Sendim (Miranda do Douro) até Vila Real de três em três meses.
"Só o facto de ser muito mais perto é uma vantagem muito grande. Se tivesse que ir para o Porto seria o dobro do caminho", salientou.
O transporte da viagem é feito do próprio carro e, ao ficar na cidade transmontana, poupa em combustível e até em portagens.
Catarina Vaz é enfermeira e paciente no hospital de Vila Real. Há seis anos recebeu um rim doado pela sua mãe e é aqui, praticamente em casa, que faz as consultas.
"As despesas saem do nosso bolso, somos nós que pagamos o transporte para ir e vir. Por isso, aqui, poupamos e ganhamos ainda em qualidade de vida", frisou.
Teresa Morgado explicou que os doentes transplantados têm de ser seguidos para o resto das suas vidas.
"O órgão tem sempre risco de ser rejeitado, precisa de periodicamente de ser seguido em consulta, fazer análises e ajustes de medicação", salientou.
Para a consulta funcionar, o hospital precisa de dispor de especialistas com formação e de ter montado um circuito que permite ao paciente fazer análises e, em pouco tempo, ter o resultado e seguir para as consultas de enfermagem e médica.
Este serviço representa também um encargo financeiro adicional para a instituição hospitalar, no entanto, desde junho de 2012, que os hospitais são reembolsados pelos gastos com a medicação imunossupressora.
O CHTMAD recebe na sexta-feira o ministro da Saúde, Paulo Macedo, que vai inaugurar a unidade de neonatologia e visitar o serviço de hemodinâmica e unidade de cuidados intensivos coronários.
PLI (SMM) // JGJ
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