FITEI de 2013 sem apoios portugueses é quase só Brasil

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Porto Canal / Agências

Porto, 15 mai (Lusa) - Sem qualquer financiamento do Estado português, sem companhias nacionais, o FITEI -- Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica, vai mesmo assim cumprir a sua 36.ª edição em 2013, graças aos apoios do Governo brasileiro.

Mário Moutinho, o diretor do festival, confessou hoje "que chegou mesmo a ponderar-se se isto deveria ser apresentado como um festival ou como uma mostra de teatro brasileiro", já que das 14 companhias presentes, entre os dias 29 de maio e 10 de junho, 11 são brasileiras.

Mas, como explicou hoje em conferência de imprensa, acabou por optar por manter a designação de festival porque "não é uma mera mostra, é um foco de intercâmbio porque trazemos diretores de companhias, diretores de festivais, que trocam impressões entre si, que estabelecem acordos e programam para os seus festivais".

Para não perder estas relações internacionais, o FITEI decidiu manter em 2013 a sua designação como festival, embora a reconheça que o este ano só há quase teatro brasileiro e que o festival subsiste graças ao apoio da FUNARTE, a estrutura governamental brasileira de apoio. "Vai ser um festival de resistência", acrescentou Mário Moutinho.

O diretor do festival diz que há muito que a programação "refletia o conjunto de cortes que e o festival tem sido sujeito", mas que este ano "o contexto é ainda mais grave porque a proposta da Direção Geral de Artes (DGArtes) "deixa o FITEI fora dos apoios".

O essencial da programação decorrerá nos espaços ligados ao Teatro Nacional de São João, num conjunto integrado no Ano do Brasil em Portugal, que por acordo com a FUNARTE cabia ao FITEI programar.

Lazuli Cultura, Sutil Companhia de Teatro, Ágora, Razões Inversas, Grupo XIX de Teatro são algumas das companhias presentes. Os espetáculos abordam temas que vão desde o racismo, à desigualdade social, à reflexão sobre artistas como Elizabeth Bishop sendo também de registar a presença de várias companhias de dança. A

A conhecida cantora Maria Bethânia vai dar dois espetáculos (a 07 e 08 de junho) em que intercala textos e canções da tradição portuguesa e brasileira pouco habituais no seu reportório.

Destaque ainda para "Orfeu Mestiço -- Uma Hip-hópera brasileira", de Claudia Schapira que aqui apresenta uma versão "tropical" do mito grego de Orfeu e Eurídice.

As únicas exceções ao universo dramático brasileiro são uma proposta do Teatro Helena Sá e Costa em torno das danças latino-americanas, com a Allantantou Danse Company e a Cubania Dance Company, e uma performance para o "Serralves em Festa" pela companhia francesa Cie Jo Bithume.

Mário Moutinho lembrou ainda que foi feita "uma contestação à decisão da DGArtes em sede de audiência de interessados, cujo resultado ainda é desconhecido e que corre o risco de quando vier uma resolução o festival já tenha passado".

"Se nós não tivermos a capacidade de aguentar a estrutura tal como ela existe, nós corremos o risco de que o festival, tal como o conhecemos, desapareça", afirmou Mário Moutinho, que garante que o apoio da DGArtes é essencial para que outros patrocinadores apoiem o festival.

Para memória futura ficam também as palavras de António Grassi, o presidente da FUNARTE, no programa do festival: "O FITEI, como é conhecido em todo o mundo, é um dos mais longevos e profícuos encontros e teatro e sem dúvida nenhuma é momento internacional mais significativo da expressão ibérica cénica".

DP // JGJ

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