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PR/Senegal: Portugal reconheceu injustiça da escravatura quando a aboliu em 1761

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Gorée, Senegal, 13 abr (Lusa) - O Presidente português considerou hoje, no Senegal, que o poder político português reconheceu a injustiça da escravatura quando a aboliu em parte do seu território, "pela mão do Marquês de Pombal, em 1761".

Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta mensagem no final de uma visita a uma antiga casa de escravos do tempo dos holandeses, na ilha de Gorée, em frente a Dacar, lugar que foi um entreposto do tráfico de escravos desde o século XVI, sob domínio português, até ao século XIX, e onde o papa João Paulo II pediu perdão pela escravatura.

Falando primeiro em francês, o chefe de Estado declarou: "Quando nós abolimos a escravatura em Portugal, pela mão do Marquês de Pombal, em 1761 - e depois alargámos essa abolição mais tarde, no século XIX, demasiado tarde -, essa decisão do poder político português foi um reconhecimento da dignidade do homem, do respeito por um estatuto correspondente a essa dignidade ".

"Nessa medida, nós reconhecemos também o que havia de injusto e de sacrifício nos direitos humanos, como diríamos hoje em dia, numa situação que foi abolida", acrescentou.

Depois, o Presidente da República repetiu a mensagem em português: "Recordei que Portugal aboliu, pela mão do Marquês de Pombal, pela primeira vez, a escravatura, numa parte do seu território em 1761 - embora só alargasse essa abolição definitivamente no século XIX -, e que nesse momento, ao abolir, aderiu a um ideal humanista que estava virado para o futuro".

Essa decisão "reconhecia o que tinha havido de injusto, o que tinha havido de condenável no comportamento anterior, relativamente a séculos em que esses direitos não foram devidamente reconhecidos", reiterou.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o que fica de mais importante desta visita à "Casa dos Escravos" de Gorée é "a lição de esperança no futuro" e a ideia de que "é preciso continuar a lutar pelos direitos humanos, contra as formas de escravatura que existem, contra as opressões, contra as ditaduras, contra os totalitarismos".

"Ainda hoje, infelizmente, é tão necessário", lamentou.

IEL // JPS

Lusa

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