Produtor de leite procede ao abate de vacas para diminuir produção de leite

| Norte
Porto Canal (MYF)

Produtores de leite do Minho, reúnem-se, esta terça-feira, em Sequeira, Braga, em protesto contra uma crise que dizem estar a os “estrangular”. Em declarações aos jornalistas, Manuel Vilaça diz que neste momento é mais rentável derramar o leite do que vendê-lo. O produtor entregou, esta tarde, mais três vacas no Mercado de Gado da Leicar, na Póvoa de Varzim, para que depois sejam vendidas para abater. 

Actualizado 15-03-2016 17:21

Depois da manifestação desta segunda feira, que juntou mais de dois mil produtores nacionais em protesto junto à Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Norte, em Matosinhos, é a vez de os produtores da freguesia de Sequeira mostrar o seu descontentamento com a crise que o setor está a atravessar. Os produtores dizem não aguentar mais os preços praticados no país e criticam o facto das empresas comprarem leite a produtores estrangeiros.

Manuel Vilaça, revela aos jornalistas que a melhor solução passa por deitar o leite fora, na vez de vendê-lo. “Se entregar o leite [à Agros] perco 1500 euros, se não entregar perco 1100 euros“, afirma o produtor. Isto porquê? Segundo o contrato imposto pela empresa 'Agros', Miguel Vilaça tem de pagar "15 cêntimos por cada litro de leite" que vá para além limite imposto pela empresa e mais "dois cêntimos por cada litro" do total da entrega.

O produtor revela, por isso, que no final do ano passado teve de entregar 10 vacas ao Mercado de Gado da Leicar, na Póvoa de Varzim, para serem vendidas para abater, e na tarde desta terça-feira, voltou a levar mais três, tudo por um propósito: reduzir a produção.

Os produtores queixam-se dos preços baixos pagos à produção e pelas importações, que Manuel Vilaça, diz estar abaixo da Comissão Europeia. Exigem ao Governo que as quotas do leite sejam novamente repostas e pedem apoios e financiamentos a um setor, que segundo os produtores, pode estar em vias de extinção.

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