Teatro do Bolhão dá voz às "Almas Mortas" que Gogol silenciou

| Norte
Porto Canal / Agências
Porto, 22 mai (Lusa) -- O Palácio do Bolhão, no Porto, vai acolher "Almas Mortas", que parte da obra homónima de Nikolai Gogol, com encenação de António Júlio, que disse hoje querer dar voz às almas que o autor silenciou no original.

A peça é uma estreia absoluta a cargo do Teatro do Bolhão e vai estar em cena a partir da próxima quarta-feira, até dia 14 de junho.

"Como é que se trabalha a partir do texto de Gogol e se reflete sobre algumas questões que vivemos hoje também? Porque não é bem a mesma história, fazemos uma viagem pelo texto de Gogol, mas questionamo-nos sobre o lugar das almas mortas, das pessoas, dos trabalhadores, que são silenciados na obra toda de Gogol", disse à Lusa António Júlio.

Em palco vê-se um cenário de construções semelhantes a retalhos de madeira em ponto grande, de onde surge o elenco, composto na totalidade por antigos alunos da Academia Contemporânea do Espetáculo, com exceção da participação especial do professor da instituição João Paulo Costa.

Para a responsável pelo texto e assistente de encenação, Raquel S., "a dificuldade maior [foi] compreender o que é que naquele texto é mesmo literatura e não vai funcionar em teatro".

"O texto de Gogol, mesmo sendo muito criativo, não chega às almas e para nós era fundamental que essa fosse a raiz do texto, o lugar a que queríamos chegar. Nesse sentido tivemos também de mudar a forma", explicou Raquel S..

Desta forma, numa altura em que já contemporâneos de Gogol "questionavam a servidão enquanto instituição", Gogol não era um deles, sendo, nas palavras de Raquel S., "um autor conservador que acredita naquela estrutura social".

Na peça, o viajante Tchitchikov chega a uma cidade acompanhado de um baú, visitando "proprietários rurais, percorrendo os caminhos sinuosos de um misterioso negócio: comprar os camponeses que, apesar de já terem morrido, ainda constam das listas dos censos".

TDI // MSP

Lusa/Fim

+ notícias: Norte

Yazaki Saltano avança com despedimento coletivo de 163 trabalhadores em Ovar

A Yazaki Saltano vai despedir 163 trabalhadores na fábrica de Ovar, após ter dispensado mais de 300 em meados de 2025, tendo comunicado a decisão aos visados na quinta-feira, com efeitos imediatos, disse esta sexta-feira à Lusa fonte sindical.

Nelson Pereira vai liderar Unidade Local de Saúde de Matosinhos

Médico do Hospital de São João é o escolhido pelo Governo para presidente do Conselho de Administração da ULS de Matosinhos. 

Museu Marítimo de Ílhavo conta atingir 1,5 milhões de visitantes este ano

O Museu Marítimo de Ílhavo (MMI) deverá atingir 1,5 milhões de visitantes em 2026, ano em que celebra 25 anos de renovação temática focada na pesca do bacalhau, revelou esta sexta-feira fonte municipal.