Agricultores queixam-se de quebras brutais na produção de castanha na Padrela

| Norte
Porto Canal / Agências

Valpaços, 17 out (Lusa) -- Agricultores da Serra da Padrela, distrito de Vila Real, queixam-se de "quebras brutais" na produção de castanha por causa do clima atípico, uma situação que preocupa muitas famílias que têm neste fruto "a única" fonte de rendimento.

Os produtores falam num "cenário desolador" que afetou principalmente as zonas mais altas e frias da Padrela e apontam o dedo ao clima instável que se sentiu neste verão, com dias frios e de nevoeiro, intercalados com calor.

"A situação está complicada. Não há castanha. Nós praticamente só vivemos da castanha e temos esta calamidade", afirmou aos jornalistas António Maia, 66 anos e agricultor de Vilarinho do Monte, na freguesia de São João da Corveira (Valpaços).

No ano passado, acrescentou, colheu cerca de "20 mil euros de castanha e este ano se fizer mil euros de castanha já é muito".

Enquanto fala, este lavrador abre um ouriço e mostra que o fruto "não vingou", não cresceu.

Ao seu lado, dezenas de outros produtores queixam-se também de "quebras brutais" na ordem dos "90%" e que, em alguns casos, "são totais".

"Na parte mais fria temos situações de perda de 100% na produção", afirmou o presidente da junta de São João da Corveira, Hernâni Sousa.

A Denominação de Origem Protegida (DOP) da Padrela estende-se por cinco mil hectares, estendendo-se por freguesias de Valpaços, Chaves, Murça e Vila Pouca de Aguiar.

Nesta zona, segundo o autarca, a produção média anual de castanha ronda os "cerca de 10 milhões de quilos de castanha" o que representa um volume de negócios de vários milhões de euros.

"Isto é o investimento de um ano inteiro e serve para milhares de famílias passarem o resto do ano. Não há mais nada que compense o trabalho deles. Para muitos esta é a principal fonte de rendimento, a única talvez", salientou Hernâni Sousa.

Por isso mesmo, o presidente disse que "muitas pessoas vão ter sérias dificuldades para pagar as prestações à Segurança Social, as contas de água, luz e os estudos dos filhos". "Tudo isso depende diretamente do dinheiro das castanhas", frisou.

Como a produção é pouca, os produtores não estão também a contratar trabalhadores para a apanha. "É uma situação grave que afetou toda a gente. Direta ou indiretamente todos dependemos disto", sublinhou.

Enquanto olha para o souto "vazio de fruto", Teresa Santos, 47 anos, deixa cair algumas lágrimas pelo rosto.

"Estes castanheiros que estamos a ver são meus. Isto é um cenário desolador. Eu também é só do que vivo", referiu.

Com dois filhos e o marido desempregado, esta agricultora afirmou que era com o dinheiro da venda de castanha que se ia "governando de ano a ano".

No ano passado colheu à volta de 17 mil quilos de castanha e deu trabalho a mais quatro pessoas, búlgaros, que este ano já não pode contratar.

Era preciso, alertou, que "alguém lá no Governo" olhasse para "este grave problema" que está a afetar os produtores de castanha que "não têm outra fonte de rendimento".

Também o presidente da junta defendeu que é preciso ajudar os produtores. "Queríamos que olhassem para nós, que nos ajudassem de alguma forma, porque é uma situação muito difícil para milhares de famílias", salientou.

"Tenho castanheiros em que não se apanha lá nenhuma. Era a castanhinha que nos valia. Este vai ser um ano muito complicado para quem vive de uma pensão de 200 euros", afirmou Emília Teixeira, de 72 anos.

PLI // MSP

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