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Nova clínica luso-timorense apoia população em zona fronteiriça de Timor-Leste

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Memo, Timor-Leste, 27 jul 2020 (Lusa) - A população da região timorense de Memo, uma das zonas mais pobres próxima da fronteira com a Indonésia, tem a funcionar a partir de hoje uma nova clínica dedicada à saúde maternoinfantil, apoiada por Portugal e Timor-Leste.

A clínica, que começou a ser projetada em 2014, foi inaugurada no fim de semana pelo ex-Presidente Xanana Gusmão, pelo bispo de Maliana, Norberto de Amaral, pela diretora-geral dos serviços de saúde, Odete Viegas, e pelo embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira.

O projeto é da Fundação das Irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima, instituição ligada à congregação portuguesa com o mesmo nome e com sede em Fátima, que se implantou no distrito de Bobonaro, a sudoeste de Díli, em 2011.

"Continua a haver muitas mulheres que morrem nos partos. As famílias têm medo de ir ao hospital ou não conseguem chegar a tempo e por isso queremos dar apoio de maior proximidade às famílias", explicou à Lusa a responsável do projeto, Cristina Macrino.

Trata-se, referiu, de permitir um acompanhamento da população, atuando na prevenção da doença e, com uma sala de partos, poder "dar resposta às mulheres nas zonas mais remotas" para que tenham cuidado maternoinfantil.

"Queremos ajudar a criar empatia procurando que as pessoas procurem serviços de saúde e deixem de ter medo", referiu.

O edifício da clínica teve um custo total de cerca de 400 mil dólares (342 mil euros) e o equipamento inicial um custo de cerca de 50 mil dólares (42,7 mil euros), parte dos quais foram doados por Portugal.

"Mas há ideia de expandir o projeto, especialmente alargar a rede de cuidados às aldeias mais remotas nas montanhas, criando apoios às populações", disse Macrino.

Em causa está uma população de cerca de 400 famílias e mais de seis mil pessoas, muitas das quais vive com poucos meios de subsistência e muitas "carências nas áreas de saúde e educação", notou Cristina Macrino.

Desde que nasceu como fundação nacional, o projeto tem vindo a atuar em paralelo nestas duas áreas, numa fase inicial com espaços "muito rudimentares" que, progressivamente, foram sendo melhorados.

Numa primeira fase, em que era dado apoio com medicamentos básicos, foram identificadas carências nas áreas de nutrição, com especial impacto em mulheres grávidas e durante a amamentação.

"Fomos também visitar periodicamente algumas aldeias mais remotas e sentimos que a missão teria de desenvolver um projeto na saúde que fosse ao encontro das necessidades das populações que rodeavam a missão e aquelas que visitávamos em áreas remotas", frisou Marcino.

O projeto da clínica foi apresentado em 2014 ao então chefe do Governo, Xanana Gusmão, a par do complexo do novo Centro Social para as crianças, mas a oportunidade de arrancar só surgiu em 2018, com financiamento de várias entidades, com destaque para a Agência de Desenvolvimento Nacional (ADN).

A Clínica Madre Cecília dos Santos (cofundadora da Congregação das irmãs Reparadoras de Nossa Senhora de Fátima) tem duas vertentes, cuidados de saúde primários e cuidados maternoinfantis, com sala de partos e apoio pós-partos.

O projeto, que tem um acordo de cooperação com o Ministério da Saúde, conta com dois médicos e duas parteiras, quatro enfermeiros e quatro auxiliares de ação médica, além de outros funcionários.

A clínica contou ainda com apoio da Papal Foundation e venceu um projeto de apoio da cooperação portuguesa que permitiu adquirir equipamentos para a sala de parto, quarto de internamento e as cadeiras da sala de espera.

Alguns portugueses a residir em Díli deram ainda apoio para a compra de eletrodomésticos e outro material.

O apoio português foi canalizado através do Fundo de Pequenos Projetos gerido pela Embaixada de Portugal em Díli, que tem por objetivo "minimizar necessidades reconhecidas no domínio social, em particular nos setores da saúde e da educação, identificadas por atores da sociedade civil".

O fundo pretende apoiar organizações da sociedade civil a diminuir os índices de pobreza e exclusão social e promover um desenvolvimento local integrado e sustentável.

O embaixador de Portugal em Díli, José Pedro Machado Vieira, disse que foi dedicada uma edição especial no contexto da resposta à pandemia da covid-19, tendo sido selecionados cinco projetos de 20 apresentados.

"Portugal é um parceiro empenhado na cooperação com Timor-Leste, em diversos setores, também no da saúde. Nesse sentido, está comprometido com o fortalecimento do sistema de Saúde timorense, considerado um elemento fundamental nas estratégias de desenvolvimento deste país", notou o diplomata.

"Importa ainda destacar que o trabalho desenvolvido pelas Irmãs Reparadoras vai para além da prestação de cuidados básicos de saúde, estando a seu cargo o apoio ao estudo e a dinamização de atividades pedagógicas e lúdicas para mais de 250 crianças. Para elas, trouxe uma pequena biblioteca de livros infantis, não só para alimentar o interesse pela leitura, mas também para as fazer sonhar, em cada história", notou.

 

ASP // JMC

Lusa/Fim

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