Bloco de Esquerda critica estado de dois espaços verdes no município da Feira

| Norte
Porto Canal / Agências

Santa Maria da Feira, 10 abr (Lusa) - O Bloco de Esquerda criticou hoje o "massacre ambiental" verificado no parque do Engenho Novo, em Paços de Brandão, Santa Maria da Feira, e alertou para o "estado calamitoso" do parque da Azenha, em Arrifana, no mesmo concelho.

Em comunicado, a coordenação local do partido alerta para a situação atual que se vive na Quinta do Engenho Novo "após o 'massacre ambiental' promovido pelo Executivo laranja" - que, por sua vez, afirma que "nada disso é verdade".

O BE declara que, "para além de ter destruído a flora, o trabalho realizado com maquinaria pesada provocou uma compactação do solo e, dado o número exacerbado de árvores que foram abatidas, algumas delas centenárias, as terras encontram-se remexidas e, por isso, soltas". Essas alterações vêm provocando "uma erosão precoce do solo e o seu arrastamento em dias de chuva".

Outras consequências negativas são a diminuição da humidade atmosférica, a destruição de habitats que deixa em risco várias espécies e o aumento dos níveis de dióxido de carbono na zona.

"É curioso que, numa altura em que todos tentam aproveitar ao máximo os recursos naturais e espaços verdes de que dispõem, o presidente da Junta de Paços de Brandão faça o contrário - destrói um património incalculável que é de todos nós", defende o BE.

Contactado pela Lusa, o autarca em questão diz que "nada disso é verdade". Embora reconheça que foram abatidas árvores no Engenho Novo, afirma que "eram só acácias, austrálias e eucaliptos".

A justificação de Firmino Costa é que "aquilo, no fundo, nem era um parque - era mais uma tapada". Daí que "foi preciso abater as árvores para se fazer uma nova plantação e criar ali um parque".

Assegurando que já foram plantadas na zona novas espécies "de grande porte, pelo que dentro de três ou quatro anos aquilo já vai ficar composto", o autarca revela: "Já se está a preparar o terreno para a sementeira da relva".

Quanto ao parque de lazer da Azenha, em Arrifana, o BE também defende que "o estado calamitoso em que esse se encontra é espelho da gestão laranja que se tem repetido ao longo dos anos na freguesia" - que está sem Executivo e vai a eleições intercalares a 25 de maio.

As razões para crítica são estas: "a sinalética a indicar a existência do parque é nula, bem como a limpeza do espaço; o parque infantil não cumpre sequer com as regras básicas de segurança e higiene; os caixotes de lixo não são despejados e a vegetação cresce desenfreadamente".

Realçando que "tudo isto demonstra a inércia que levou a Junta de Freguesia ao descalabro financeiro", o BE diz que "não se fez planeamento, não se assegurou a manutenção dos equipamentos, nem sequer se procurou, em conjunto com a sociedade civil, mecanismos para potenciar e dinamizar as riquezas naturais da freguesia".

A Lusa procurou ouvir Delfim Silva - que venceu as últimas eleições, mas acabou por não formar Executivo e agora integra a comissão administrativa que gere a Junta -, mas o autarca não esteve contactável.

AYC // JGJ

Lusa/Fim

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