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Catalunha: Entregar a tribunais solução de questão política só pode sair mal

| Mundo
Porto Canal com Lusa

Porto, 17 out 2019 (Lusa) -- O filósofo Daniel Innerarity considera que entregar aos tribunais um problema político só poderia ter um desfecho infeliz, como aconteceu na Catalunha, acreditando que uma solução para o conflito passará por um dos lados abdicar de parte das exigências.

Em entrevista à Lusa, a propósito do lançamento em Portugal do livro "Política para Perplexos" (Porto Editora), o professor catedrático da Universidade do País Basco, que chegou a ser uma possibilidade de intermediário entre o Governo de Madrid e a liderança catalã, disse que a condenação pelo Supremo Tribunal dos principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha foi uma "má sentença, desde o ponto de vista jurídico", mas acima de tudo revelou que, "quando há um problema político, mesmo num Estado de Direito onde há que respeitar as normas, confiar aos tribunais a resolução do problema só pode sair mal".

"Há uma grande tentação de reduzir este problema a um problema de respeito pela legalidade e ordem pública. Vamos ver, nestes dias, como se vai transformar num problema de ordem pública. Nem antes da sentença nem depois da sentença se deu um tratamento político a isto", afirmou Innerarity.

Para o filósofo político basco, nas próximas semanas ou meses, vai ser atravessado "um túnel sem luz, muito desagradável, no qual a única coisa que se pode fazer é 'desescalar', arrefecer a resposta, os discursos".

"Mas depois de passar este período, haveria que abordar isto com um princípio de que daqui só se sai se alguém renunciar a parte das suas aspirações e o fizer num esquema de reciprocidade. Ou seja, só se uma pessoa renunciar a parte das suas aspirações pode exigir semelhante do outro", considerou o diretor do Instituto de Governação Democrática, em San Sebastián.

Na opinião de Innerarity, tal renúncia passa "por um sacrifício que consiste em dizer às tuas próprias pessoas coisas que as tuas próprias pessoas não estão habituadas a ouvir", o que é dificultado por um momento em que as lideranças existentes foram desenvolvidas "sobre a base da confrontação".

"Efetuar essa mudança não é fácil e em momentos de aquecimento global da política é especialmente difícil", afirmou o filósofo.

Na segunda-feira, o Supremo Tribunal espanhol condenou os principais dirigentes políticos envolvidos na tentativa de independência da Catalunha a penas que vão até um máximo de 13 anos de prisão, desencadeando movimentos de protesto de grupos de independentistas em todo o território da comunidade autónoma espanhola mais rica.

Barcelona tornou-se, desde a noite de segunda-feira, cenário de confrontos entre polícias e manifestantes, que construíram barricadas, queimaram mobiliário urbano e pneus, fizeram fogueiras e atiraram pedras e petardos contra as autoridades.

Doze jornalistas foram agredidos pela polícia, só na segunda-feira, o que levou a Federação Europeia de Jornalistas e a Federação Internacional de Jornalistas a condenar a violência contra os profissionais e a exigir um inquérito aos acontecimentos.

TDI (PMC/FPB) // MAG

Lusa/fim

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