Detectado primeiro planeta em torno de estrela gémea do Sol em enxame estelar

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Porto Canal / Agências

Lisboa, 15 jan (Lusa) - Astrónomos detetaram o primeiro planeta em torno de uma estrela gémea do Sol, pertencente a um enxame estelar, anunciou hoje em comunicado o Observatório Europeu do Sul (OES), organização da qual Portugal faz parte.

Uma equipa internacional de cientistas descobriu três exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar) em torno de estrelas pertencentes ao enxame estelar (conjunto de estrelas) aberto Messier 67, a partir do detetor de planetas HARPS do OES, no Chile, e de outros telescópios.

Contudo, um dos novos exoplanetas orbita uma estrela rara, praticamente idêntica ao Sol em termos de massa, temperatura e abundância química, e, por isso, chamada gémea solar.

O Observatório Europeu do Sul salienta que "têm-se encontrado muito poucos planetas no interior de enxames estelares, o que é relativamente estranho, já que a maioria das estrelas nasce precisamente no seio destes enxames".

O enxame em causa, Messier 67, próximo da Terra, é aberto porque agrega estrelas que "se formaram ao mesmo tempo, a partir de uma única nuvem de gás e poeira, num passado recente", encontrando-se "essencialmente nos braços em espiral de galáxias como a Via Láctea".

A equipa liderada por Anna Brucalassi, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, monitorizou 88 estrelas selecionadas no enxame Messier 67, durante seis anos, "procurando os pequeníssimos movimentos das estrelas, que se aproximam ou afastam da Terra, e que revelam a presença de planetas na sua órbita".

Segundo o OES, o enxame localiza-se a cerca de 2.500 anos-luz de distância da Terra, na constelação do Caranguejo, e tem aproximadamente 500 estrelas.

Dois dos três novos exoplanetas detetados são "comparáveis a Júpiter em termos de tamanho, mas muito mais próximos das suas estrelas progenitoras e, consequentemente, muito mais quentes".

Os três planetas estão mais perto das suas estrelas do que a zona habitável, local onde pode haver água em estado líquido, sendo que dois orbitam estrelas semelhantes ao Sol e um gira em torno de uma estrela gigante vermelha, "mais evoluída e de maior massa".

Dos que orbitam estrelas parecidas com o Sol, apenas um, o primeiro detetado, movimenta-se em redor de uma gémea solar, "uma das mais similares gémeas solares identificadas até hoje, praticamente idêntica ao Sol".

Os dois primeiros exoplanetas descobertos "têm ambos um terço da massa de Júpiter e orbitam as suas estrelas hospedeiras em sete e cinco dias", enquanto o terceiro "demora 122 dias a completar a sua órbita e possui mais massa do que Júpiter".

A equipa de astrónomos propõe-se continuar a observar o enxame Messier 67, "para descobrir como é que as estrelas, com e sem planetas, diferem em massa e composição química".

ER // GC.

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