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CDS-PP diz que apoio de Costa a lista transnacional nas europeias é "crime de lesa-pátria"

| Política
Porto Canal com Lusa

Lisboa, 13 jan (Lusa) - O CDS-PP considerou hoje "um crime de lesa-pátria" o apoio do primeiro-ministro à criação de uma lista transnacional nas eleições europeias, que transforma António Costa "num joguete de franceses e alemães" e atraiçoa os países médios e pequenos.

Em causa está a declaração final da IV Cimeira dos Países do Sul da União Europeia, que decorreu na quarta-feira, em Roma, e na qual esteve o primeiro-ministro, António Costa, e onde consta no último ponto uma posição de princípio no sentido da criação de uma lista transnacional nas eleições europeias.

"Esta decisão é um crime de lesa-pátria para Portugal, transforma o doutor António Costa num joguete de franceses, alemães, espanhóis e italianos - grandes países da União Europeia - e atraiçoa os países médios e pequenos deste projeto comum que estão contra estas listas transnacionais que são um processo profundamente antidemocrático", criticou o vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo, em declarações à agência Lusa.

Entretanto, o secretário-geral do PS, António Costa, negou hoje, à entrada para a reunião da Comissão Nacional do PS, ter dado o seu acordo à proposta do Presidente francês, Emmanuel Macron, para a criação de um círculo transnacional nas eleições europeias, contrapondo que os socialistas portugueses se têm oposto.

Na opinião do eurodeputado centrista, "António Costa é uma pessoa que estuda pouco e não alcança muitas vezes a consequência das suas medidas".

"O CDS-PP pretende alertar as pessoas para uma decisão trágica de um primeiro-ministro, à socapa, sem sequer ouvir o parlamento nacional, sem ter noção do que está a fazer. É de uma gravidade extrema", condenou.

De acordo com Nuno Melo, "as listas transnacionais darão às direções de partidos europeus, invariavelmente controladas por franceses e alemães, o poder de decidirem sobre quem as integrará sendo de outros países".

Para o vice-presidente do CDS-PP, isto resultará numa distorção "em favor desses grandes Estados, integrando nas listas mais nacionais seus do que de outros países".

"Estas listas transnacionais serão uma porta aberta a todos os extremismos que ainda não entraram em todos os países porque pessoas com grande capacidade mediática - como a Marine Le Penn - tenderão a agregar votos através de uma mensagem populista, mas que rende", alertou.

Esta medida, continuou Nuno Melo, "nem sequer é federalista" porque estão "a querer consagrar para a União Europeia o que nos estados federais nem sequer existe".

Na sexta-feira, o PSD requereu uma audição parlamentar, com caráter de urgência, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, para esclarecer o apoio dado pelo Governo português à criação de uma lista transnacional nas eleições europeias.

JF (MC/PMC) // CSJ

Lusa/fim

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