Jornal Diário Jornal das 13 Último Jornal

Feira do cânhamo no Porto debate legalização do consumo das drogas leves

Feira do cânhamo no Porto debate legalização do consumo das drogas leves
| Norte
Porto Canal com Lusa

O debate em torno da legalização do consumo das drogas leves vai marcar a CannaDouro - I Feira Internacional de Cânhamo do Porto, agendada para os dias 18 e 19 na Alfândega daquela cidade, disse à Lusa o promotor.

Afirmando que está em causa "o direito à liberdade individual" e que atualmente “só não se é preso" pelo consumo, João Carvalho explicou que se pretende "dizer às pessoas que, mesmo sendo apanhadas com alguma substância, em doses inferiores ao que é considerado tráfico, não significa que sejam doentes e que tenham de ir a uma consulta de psicologia". São, como sublinhou, "meras consumidoras".

O consumo de drogas em Portugal foi descriminalizado, mas não despenalizado. Consumir substâncias psicoativas ilícitas deixou de ser alvo de processo-crime (e como tal tratado nos tribunais), passando a constituir uma contraordenação social, com apresentação da pessoa a uma comissão de dissuasão, segundo o sítio do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Por lei, a quantidade definida em Portugal para consumo próprio é "abaixo de cinco gramas de haxixe e 25 gramas de erva", sublinhou João Carvalho, para quem o cidadão deve poder ter uma quantidade “superior ou necessária aos seus hábitos de consumo".

"Apesar do preconceito que existe sim, queremos que as pessoas tenham a liberdade individual de, com uma escolha informada, fazerem o que acharem correto", disse o promotor da CannaDouro, considerando "irreais" as quantidades atualmente estabelecidas como máximos para consumos próprios.

Referindo-se à feira. João Carvalho afirmou que, com tanta experiência, quer ao nível comercial, quer de intervenções para mostrar naquele certame, a cidade "pode e está a tornar-se, dentro da faixa atlântica da Península Ibérica, no grande ponto de encontro e de debate de toda a cultura da canábis", contando com uma "grande afluência de galegos".

"Se queremos copiar alguém, então que seja o modelo espanhol, que optou por clubes sociais, num esquema mais cooperativo de associativismo, bem como o seu dinamismo empresarial que dá emprego bem remunerado a cerca de 30 mil pessoas", disse.

Segundo João Carvalho, a CannaDouro pretende, sobretudo, "promover o consumo consciente, uma utilização informada, prevenindo situações de saúde, a título individual e de saúde pública", razão pela qual promoveu uma feira que vai debater todas as valências do cânhamo, desde a canábis ao CBD - cannabidiol, ou “ouro verde”, como é mais conhecido.

O CBD "é um dos mais de 113 canabinoides identificados na planta de canábis e não é psicoativo, sendo hoje utilizado em larga escala pelo mundo inteiro nas mais diversas patologias, por vezes em complemento aos tratamentos convencionais", explicou um dos responsáveis da feira.

"Portugal, em 2001, colocou-se na vanguarda mundial na relação do Estado com as autoridades ao descriminalizar o consumo da canábis e as drogas em geral", elogiou o promotor da CannaDouro. Mas 16 anos passados, João Carvalho quer mais do Governo, argumentando que "o descriminalizar não traz luz, informação nem o uso consciente às camadas mais jovens e ao público em geral".

O cultivo industrial do cânhamo “tem imensa regulamentação e é altamente burocratizado, e recentemente caiu-se no paradoxo em Portugal onde houve um investimento de 20 milhões de euros de uma empresa canadiana, no cultivo altamente especializado e técnico do cânhamo para a extração do CBD, quando essa prática é ilegal cá", alertou o promotor.

+ notícias: Norte

Corpo de jovem desaparecido no rio Douro encontrado pelos bombeiros

O corpo de um homem de 19 anos que estava desaparecido no rio Douro, em Marco de Canaveses, desde as 23h00 de terça-feira, foi encontrado na manhã desta quarta-feira, cerca das 10h00, disse Lusa fonte dos bombeiros.

Autarquia de Braga quer limitar circulação automóvel no centro histórico da cidade

A autarquia de Braga vai limitar a circulação automóvel na zona pedonal da cidade, por considerar que há carros a mais a circular no centro histórico. A medida vai a votação na próxima reunião de Câmara.

Câmara de Santo Tirso investe cerca de quatro milhões de euros na recuperação de 450 casas

A Câmara Municipal de Santo Tirso vai investir quatro milhões de euros na recuperação de habitações municipais. A intervenção abrangerá mais de 400 casas e vai permitir ajudar mais de 1600 pessoas.

Atenção: este é um espaço público e moderado. Não forneça os seus dados pessoais (como telefone ou morada) nem utilize linguagem imprópria.