Desemprego e críticas à liderança da câmara dominam debate de candidatos a Matosinhos
Porto Canal
Desemprego, investimento, cultura e turismo foram os principais temas abordados no debate, quinta-feira à noite, entre os sete candidatos à Câmara de Matosinhos, uma discussão pautada pelas críticas à liderança do atual presidente da autarquia e recandidato ao cargo.
O debate do Porto Canal, em parceria com o Instituto Politécnico do Porto, juntou os sete candidatos que concorrem à liderança da Câmara de Matosinhos nas próximas autárquicas: Guilherme Pinto (presidente da câmara e candidato independente), António Parada (PS), Pedro da Vinha Costa (PSD), José Pedro Rodrigues (CDU), Fernando Queiroz (BE), Manuel Maio (CDS-PP) e Orlando Cruz (PTP).
Durante duas horas, os candidatos debateram a situação do concelho e abordaram temas com destaque para o desemprego, investimento no concelho, cultura, turismo e reorganização administrativa, tendo apresentado as propostas que defendem para Matosinhos.
Uma das tónicas principais do debate foram as críticas ao atual presidente de câmara - que foi eleito pelo PS, mas concorre ao terceiro mandato como independente -, tendo a principal oposição ao executivo de Guilherme Pinto partido dos candidatos do PS e do PSD.
Um dos temas que ocupou bastante tempo e dividiu em duas partes o debate - de um lado Guilherme Pinto, do outro os restantes candidatos - foram os números do desemprego do concelho.
Guilherme Pinto garantiu que Matosinhos é o concelho com menos desemprego na área metropolitana e com menos desemprego jovem no país, números que foram refutados pelos restantes candidatos.
Parada garantiu que o desemprego aumentou, exemplificando que, quando o debate acabasse, mais 13 pessoas em Matosinhos estariam desempregadas.
Por seu turno, o candidato da CDU afirmou que a autarquia "nunca encontrará solução para o desemprego enquanto não reconhecer que o problema existe", criticando o executivo por nunca ter tido um "entendimento estratégico" sobre a questão.
Já o candidato do BE considerou que o problema do desemprego em Matosinhos tem um nome, que é o PSD, recordando que foi num Governo liderado por Cavaco Silva que as pescas foram trocadas por alcatrão.
Já Manuel Maio recordou que, em 2009, na campanha eleitoral, Guilherme Pinto prometeu que iria criar 16 mil postos de trabalho, promessa que o centrista diz que não foi cumprida, considerando que as câmaras não criam emprego mas têm a obrigatoriedade de agilizar procedimentos através dos instrumentos.
Outro assunto que criou dois lados neste debate foram os investimentos no concelho, com Guilherme Pinto a elencar as obras em curso e aquelas que estão projetadas, que adianta que somam 1.700 milhões de euros de investimento.
Por seu turno, os candidatos rejeitam que estes investimentos sejam responsabilidade da autarquia, uma vez que são oriundos do poder central e do setor privado.
"Guilherme Pinto fala de investimentos que a câmara não tem nada a ver com eles. Alguns desses investimentos aconteceram não pela câmara, mas sim apesar da câmara", atirou Pedro da Vinha Costa.
O candidato do PSD não escolheu apenas como alvo Guilherme Pinto, tendo por diversas vezes 'atirado' contra Parada, que criticou por, enquanto presidente da Junta de Matosinhos, nada ter feito contra a liderança socialista na câmara e ter aprovado as medidas implementadas.
"São farinha do mesmo saco", disse o social-democrata sobre Guilherme Pinto e Parada.
O candidato do PS acusou o opositor do PSD de nada ter feito quando, a nível nacional, o Governo decidiu aumentar o IVA da restauração, medida que muito prejudicou Matosinhos.
Por seu turno, Orlando Cruz criticou os candidatos do PSD, CDS-PP e PS, e disse ficar "pasmado" ao ouvi-los quando os seus partidos são responsáveis pelo descalabro no país.
