Melgaço rejeita acordo do Alvarinho e vai continuar "oposição e protesto"
Porto Canal / Agências
Melgaço, Viana do Castelo, 20 jan (Lusa) - A Câmara de Melgaço afirmou hoje que o acordo para o alargamento da produção de vinho Alvarinho a toda a região dos vinhos verdes "não é consensual" e assegurou que "vai manter o seu papel de oposição e protesto".
Em comunicado, a autarquia liderada pelo socialista Manoel Batista considerou que o acordo alcançado no dia 13 pelo Grupo de Trabalho do Alvarinho (GTA), constituído pelo Governo para negociar a denominação daquele vinho na região, "não salvaguarda os interesses da Sub-Região de Monção e de Melgaço, nem contribui para a melhoria da economia do país".
"Tanto os valores compensatórios destinados à promoção da Sub-região como a designação 'Premium' não passam de um rebuçado envenenado que, a curto prazo, calará alguns mas, a médio, provocará maleitas graves", lê-se na nota enviada à imprensa.
Entre outras medidas, o acordo anunciado pelo GTA, liderado pela Comissão de Viticultura dos Vinhos Verdes (CVRVV), defensora do alargamento da produção aos 47 municípios, prevê a utilização pelos produtores de Monção e Melgaço de "um selo de garantia".
Os produtores dos dois municípios, que juntos continuem a Sub-Região que até agora detinha a exclusividade de produção de Alvarinho, vão ainda dispor de três milhões de euros para investir em promoção, nos próximos seis anos.
O autarca de Melgaço, município que detém 70% do capital social da "Adega Quintas de Melgaço", disse estar "preocupado" com "as consequências" da "aplicação prática" das novas medidas previstas.
"O atual acordo como não consensual, porque foi imposto pela CVRVV e pelo Governo, porque não foi subscrito por todos os membros do GTA, e porque não reúne o acordo dos agricultores e engarrafadores da Sub-Região", sustentou a autarquia.
Na semana passada, em conferência de imprensa, representantes dos produtores de Alvarinho de Monção e de Melgaço congratularam-se com o acordo por imprimir à sub-região "uma nova estratégia" e introduzir "regras mais exigentes" para os restantes produtores da Região Demarcada dos Vinhos Verdes (RDVV).
As duas estruturas que integraram o GTA e que representam cerca de 85% dos viticultores dos dois concelhos, e são responsáveis por 90% do volume de negócio gerado na sub-Região sublinharam a importância do "selo de garantia", bem como de" um designativo exclusivo, passando a comunicar Monção e Melgaço como algo único e inimitável".
Destacaram ainda a fixação de "um prazo de 18 anos durante o qual as uvas Alvarinho de Monção e Melgaço não saem da sub-região".
"Quem quiser produzir Alvarinho de Monção e Melgaço tem que investir cá e vinificar cá as uvas. Ou comprar vinho aos produtores de Monção e Melgaço", explicaram.
Adiantaram que até agora os produtores de fora da sub-região podiam produzir lotes daquele vinho com 0,1% de Alvarinho, gerando um problema de concorrência desleal para os lotes da sub-região".
"A partir de agora terão que colocar 30% de Alvarinho no mínimo, se quiserem comunicar a casta", afirmaram na ocasião.
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