Pais pedem que Guerra Junqueiro no Porto seja rua mais “acolhedora” para famílias

Pais pedem que Guerra Junqueiro no Porto seja rua mais “acolhedora” para famílias
Foto: Miguel Nogueira | Porto.
| Porto
Porto Canal/Agências

Um grupo de encarregados de educação de escolas na zona de Guerra Junqueiro, no Porto, quer que esta seja mais “acolhedora” para famílias, considerando “pouco ambicioso” o projeto de beneficiação que a câmara tem para esta artéria.

Foi enquanto os seus filhos brincavam no Parque Infantil da Associação de Moradores da Zona do Campo Alegre que um conjunto de pais e mães decidiu “criar um grupo” ao perceber que todos achavam que o potencial da Rua de Guerra Junqueiro não seria totalmente aproveitado com o projeto desenvolvido pela Câmara do Porto.

O projeto municipal em causa foi objeto de um concurso público lançado no início do mês e, ao ter vontade de partilhar as suas ideias para tornar a rua mais acolhedora, o grupo decidiu avançar com uma proposta alternativa, contextualizou à Lusa Tiago Castela, cuja filha frequenta o Colégio Alemão do Porto.

Desta “união” surgiu a ideia de criar uma petição, lançada esta sexta-feira e redigida por cerca de 100 pais, que pedem à autarquia que proceda a uma revisão do projeto para a Guerra Junqueiro e que englobe algumas das suas ideias, que consideram ser fundamentais para transformar a artéria numa rua “pensada para todas as pessoas”.

São encarregados de educação do Colégio Alemão, do Colégio Primeiros Passos, da Escola Santa Maria, da Escola Chapim Azul e da creche Os Rabinos que pedem ao município que, entre outras coisas, suprima uma das vias de trânsito e uma das filas de estacionamento existentes, que construa uma ciclovia bidirecional ao longo de toda a extensão da rua, que introduza zonas verdes e de convivência, que implemente zonas especificas para condutores pararem os carros para deixar os filhos nas escolas e que inclua radares de velocidade.

“Pareceu-nos ao grupo que, de facto, há aqui muito potencial para fazer uma coisa bem mais ambiciosa e que até seja um exemplo para a cidade do Porto e para o país. (…) Precisamos de dar mais espaço aos peões, dar mais espaço à bicicleta. Temos que pensar que não tarda nada já temos a ciclovia da ponte Ferreirinha [construída no âmbito da Linha Rubi do metro] a chegar ali à Rua do Campo Alegre”, sustentou Tiago Castela.

A petição, intitulada “Guerra Junqueiro Mais Alegre”, é endereçada ao presidente da autarquia, Pedro Duarte, e à presidente da Assembleia Municipal do Porto, Marta Massada.

Pela presença de tantos estabelecimentos escolares naquela rua e nas redondezas, a petição considera que se “torna indispensável garantir condições reais de segurança na rua, bem como espaços de convivência que promovam o bem-estar, a autonomia das crianças e a redução da dependência do automóvel”, pode ler-se no documento.

“A petição não nasce no grupo social, nasce das pessoas se conhecerem ao longo de anos com as crianças a brincar na rua. E, se não fosse isso, esta petição era impossível. O que nós queremos é alargar esse tipo de possibilidade para a rua toda, ou pelo menos para partes da rua em que as pessoas possam estar, possam conviver, possam conhecer-se”, acrescentou.

A petição elogia, contudo, aquilo que diz ser uma “intenção de dificultar o estacionamento ilegal nos entroncamentos e nas passadeiras” que está patente no projeto da Câmara do Porto, mas considera que as alterações “não são suficientes para assegurar o direito a uma rua acolhedora para famílias, crianças e jovens”.

Consultada pela Lusa, uma memória descritiva e justificativa, anexada ao concurso da autarquia que está a aceitar propostas até 03 de abril, esta artéria, de apenas um sentido, é classificada como “um eixo de ligação fundamental” com “bastante tráfego automóvel e circulação pedonal intensa” por servir vários edifícios de escolas, equipamentos e instituições.

A proposta camarária assenta na “redefinição do eixo da via”, na substituição do pavimento da faixa de rodagem, na redimensão das caldeiras das árvores, na reorganização da bolsa de estacionamento destinada a moradores, na delimitação da zona de estacionamento através de bancos em granito e na instalação de estruturas para suporte de bicicletas, entre outros.

O prazo estimado para a empreitada é de um ano.

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