Arquiteto e professor emérito da Universidade do Porto Sérgio Fernandez morre aos 89 anos

Arquiteto e professor emérito da Universidade do Porto Sérgio Fernandez morre aos 89 anos
Foto: Universidade do Porto
| Porto
Porto Canal/Agências

O arquiteto e professor emérito da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) Sérgio Fernandez morreu aos 89 anos, revelaram várias instituições, que lamentaram a morte.

Manifestando profundo pesar pela morte do arquiteto, a FAUP revelou, na sua página oficial de Internet, que o velório decorre esta quinta-feira no Tanatório de Matosinhos, no distrito do Porto, entre as 18h00 e as 23h00.

A cremação do corpo está marcada para sexta-feira entre as 15h30 e as 16h45.

Sérgio Fernandez nasceu no Porto em 1937. Formou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP) e, ainda estudante, participou em 1959 no Congresso Internacional de Arquitetura Moderna, em Otterlo, nos Países Baixos.

Após concluir a sua formação, o arquiteto iniciou uma longa carreira académica lecionando primeiro na ESBAP e, posteriormente, na FAUP.

Fez parte dos conselhos diretivos e pedagógicos do curso de Arquitetura da ESBAP entre 1976 e 1983, assumindo mais tarde o cargo de vice-presidente do conselho diretivo (1988-1994) e dirigindo o Centro de Estudos da Faculdade de Arquitetura entre 1990 e 1997.

Desde 1987, foi membro efetivo do conselho científico da FAUP, de onde viria a jubilar-se, em novembro de 2006, como professor agregado.

A sua atividade como docente inclui a passagem por inúmeras escolas de arquitetura, desde os Países Baixos até ao Panamá.

Como lembra a Universidade do Porto, na biografia que lhe dedica ‘online’, Fernandez é dono de uma “vasta obra, premiada e em grande parte publicada”, assinada a solo ou com Pedro Ramalho e com Alexandre Alves Costa e José Luís Gomes.

Destacam-se obras como Edifícios Residenciais da Pasteleira, no Porto, de 1965, a Casa de Caminha ou Casa Alcina (1971-1973), a Operação SAAL do Bairro Leal, na Rua das Musas, também no Porto (1974-1978), o Complexo Turístico de Moledo (1980), o Jardim Infantil de Moledo (1988), a Residência de Estudantes, na Expo'98, em Lisboa (1996-1998).

O mesmo texto recorda as obras em coautoria com Alves Costa, como “o Estudo de Recuperação e Valorização Patrimonial da Aldeia de Idanha-a-Velha, o restauro do Cine-Teatro Constantino Nery, em Matosinhos, o Complexo Residencial de Viana do Castelo (2005) e a intervenção no Convento de Santa Clara-a-Velha, de Coimbra”.

“Sérgio Fernandez deixa um legado assente numa expressão de caráter, de valores e de uma ética de vida e de intervenção, que se traduz numa marca indelével junto de estudantes, colegas e, sobretudo, enquanto cidadãos, cuja relevância importa preservar”, assinala a FAUP.

Também o Cinema Batalha, no Porto, lamentou a morte do arquiteto que, com Alexandre Alves Costa, assinou o projeto de reabilitação daquele edifício.

“Recordamos com carinho as permanentes visitas às nossas sessões, a ligação continuada ao projeto do Centro de Cinema e endereçamos as mais sentidas condolências à família e amigos”, refere o Cinema Batalha na sua página oficial de Instagram.

Já a Casa da Arquitetura, em Matosinhos, igualmente no Instagram, recorda Sérgio Fernandez como uma “figura incontornável da arquitetura portuguesa”.

“O seu percurso foi marcado por uma dedicação singular à prática da arquitetura, ao ensino e à reflexão crítica sobre a disciplina”, aponta.

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