Autarcas de Paços de Ferreira contra escolha de presidente de junta para cargo na câmara
Porto Canal/Agências
Os presidentes de junta de 11 das 16 freguesias de Paços de Ferreira consideraram um “atropelo ético inadmissível e uma afronta” a nomeação do presidente de Junta de Raimonda como chefe de gabinete do presidente da câmara.
Num comunicado conjunto, os presidentes de junta lembraram os autarcas das quatro juntas que não assinaram a missiva de que “também foram eleitos pelas populações para as defender e para lutar pela melhoria da qualidade de vida”.
“Perguntamos-vos diretamente: Vão compactuar com esta situação que, no limite, é eticamente reprovável? Vão aceitar em silêncio que exista um presidente de junta com acesso diário a todos os dossiês municipais”, questionaram.
Estes autarcas adiantaram que a nomeação do presidente de Junta de Raimonda, o socialista Jocelino Moreira, como chefe de gabinete do presidente da Câmara de Paços de Ferreira, Paulo Ferreira (PS), é uma “mancha profunda na democracia local”.
“O caso que envolve não é apenas uma irregularidade administrativa confirmada pelo parecer da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), é um atropelo ético inadmissível e uma afronta aos demais autarcas de freguesia”, assinalaram.
Exigindo uma tomada de posição clara e imediata por parte de Paulo Ferreira, os 11 presidentes de junta salientaram que enquanto Jocelino Moreira se mantiver como chefe de gabinete não estão reunidas as condições de confiança política minimamente exigíveis para estabelecer relacionamento de trabalho institucional com aquele.
“Esse facto comprometerá o trabalho que deve existir entre as freguesias e a câmara municipal”, frisaram.
Para os presidentes de junta, a posição de Jocelino Moreira dentro do gabinete do presidente de câmara coloca em causa o igualitário acesso e tratamento das demais freguesias.
“O que está em causa é o aproveitamento de uma posição privilegiada onde pode obter vantagens que os restantes presidentes de junta não têm”, entenderam.
O acesso a dados, prazos e estratégias, pareceres e ordens antes dos restantes é uma forma camuflada de favorecimento, sustentaram, acrescentando que “esta promiscuidade entre quem decide e quem recebe fere de morte a lealdade institucional”.
“Não aceitamos um concelho dividido entre ‘freguesias com acesso direto ao gabinete’ e todas as outras que cumprem as regras e esperam pela sua vez”, apontaram.
Na terça-feira, o PSD de Paços de Ferreira também criticou a nomeação, mas a autarquia garante que esta decisão “não enferma em irregularidades”.
A Lusa tentou contactar novamente a autarquia esta sexta-feira, mas sem sucesso.
