CDU/Porto critica silêncio da Câmara sobre fecho da esquadra da PSP em Cedofeita
Porto Canal/Agências
A CDU criticou o silêncio da Câmara do Porto sobre o encerramento do atendimento ao público na esquadra da PSP de Cedofeita e pediu esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna (MAI).
“Nós temos tido um discurso sobre a segurança de uma suposta valorização destas questões que não se coaduna com esta decisão [de encerramento do atendimento ao público]. Eu acho é incompreensível o silêncio até agora da Câmara do Porto sobre esta situação”, apontou esta sexta-feira Francisco Calheiros, líder do grupo municipal da CDU na Assembleia Municipal do Porto.
O deputado municipal, que falava aos jornalistas em frente às instalações da PSP na Praça de Pedro Nunes, exigiu que tanto esta força de segurança como o MAI clarifiquem a “reorganização” que está a ser feita, que resultou na deslocação de 34 efetivos que estavam afetos à 12.ª Esquadra para outros locais.
Até agora, na Praça Pedro Nunes, em Cedofeita, funcionavam dois serviços da PSP: a 12.ª Esquadra, que fazia atendimento à população, e a esquadra de turismo, habilitada para contactos em língua estrangeira.
De momento, naquele edifício está unicamente aberta uma sala onde funciona a esquadra de turismo, constatou no local a Lusa na quinta-feira juntos dos agentes de serviço, apesar do Núcleo de Imprensa e Relações Públicas do Comando Metropolitano do Porto o negar.
Pela CDU, Francisco Calheiros relembrou que a instalação desta esquadra na Praça de Pedro Nunes, em 2020, foi justificada pela necessidade de haver uma resposta para os moradores desta zona, após ter sido encerrada a esquadra que existia na Rua de Cedofeita.
“Nós achamos que é fundamental que se exija a manutenção desta polícia aqui, com os serviços todos de proximidade à população, até pelo tipo de zona que estamos a falar: com escolas, escritórios, muitas habitações e muita gente a viver aqui. Obviamente as reorganizações são possíveis, mas elas têm um efeito prático na vida das pessoas”, considerou o deputado municipal.
O presidente da União de Freguesias do Centro Histórico do Porto, Nuno Cruz, também expressou esta sexta-feira a sua preocupação com o encerramento da esquadra e ameaçou avaliar a cedência deste edifício da junta à PSP.
“Deixo um recado: se o edifício da extinta junta de Cedofeita não servir a população local, a Junta terá de avaliar se valerá a pena o esforço financeiro da União de Freguesias para ter a PSP naquele edifício”, escreveu Nuno Cruz na sua página oficial da rede social Facebook.
Apesar de a Lusa ter constatado o contrário no local, o Comando Metropolitano do Porto da PSP nega que a 12.ª esquadra tenha sido encerrada ou que esteja previsto o seu encerramento, e disse que se mantém o “atendimento à população”.
Na resposta enviada à Lusa, o Núcleo de Imprensa e Relações Públicas acrescentou que as instalações da esquadra de Cedofeita passaram a funcionar também como sede de divisão, uma vez que o imóvel onde esta funcionava anteriormente, no Edifício Rainha Santa Isabel, na freguesia do Bonfim, “apresenta um acentuado estado de degradação, situação que se agravou com as recentes tempestades que assolaram o país”.
“Neste contexto, tornou-se necessário reorganizar os serviços e os espaços do Edifício Rainha Santa Isabel, numa lógica de racionalização e otimização dos recursos e das áreas disponíveis (…) e foi decidido transferir os serviços de Comando e de Apoio ao Comando da 1.ª Divisão para as instalações da Esquadra de Cedofeita, passando aquele edifício a funcionar como Sede de Divisão, mantendo-se igualmente nesse local a Esquadra de Turismo e a Esquadra que integra as Equipas de Policiamento de Prevenção e Visibilidade”, informou.
Na terça-feira, em declarações aos jornalistas após uma reunião do executivo municipal do Porto, o vereador socialista Manuel Pizarro alertou para esta situação.
