Aveiro vai investir 13 milhões de euros para qualificar bairro da Beira-Mar
Porto Canal/Agências
A Câmara de Aveiro vai avançar com um projeto para a qualificação do bairro da Beira-Mar, num investimento de mais de 13 milhões de euros, com vista a "humanizar o mais possível" esta zona histórica e tradicional da cidade.
A proposta, que foi apresentada esta quinta-feira numa sessão aberta à população pela equipa técnica do Gabinete que elaborou o projeto, diz respeito à intervenção prevista para a área poente, que será a primeira a avançar, e que representa um investimento de mais de três milhões de euros.
Seguir-se-ão no futuro as intervenções nas áreas norte e central, num projeto global que irá custar mais de 13 milhões de euros e que envolve quase 70 ruas, compatibilizando mobilidade, acessibilidade, desenho urbano, património, infraestruturas e qualidade ambiental.
Perante uma plateia de dezenas de pessoas, o presidente da Câmara, Luís Souto Miranda (PSD/CDS/PPM), lembrou que este projeto já vem do anterior executivo liderado por Ribau Esteves.
“A nossa decisão política neste processo é retomar esta intervenção, porque julgamos fundamental para requalificar o espaço, para o valorizar e para trazer a convivência das pessoas no bairro”, afirmou o autarca.
A proposta passa essencialmente por uma "humanização de ruas de forma geral", com a criação de várias zonas de coexistência, em que a prioridade é dada ao peão.
"Este é um projeto que pretende uma reorganização do espaço público. Nós precisamos de resgatar espaço automóvel para ter mais área para andar a pé", disse Paula Teles, da equipa responsável pelo projeto, dando como exemplo a cidade espanhola de Pontevedra, onde "praticamente toda a gente anda a pé".
O presidente da Câmara avisou que a população deve preparar-se para esta realidade, adiantando que a ideia desta divulgação é "não haver choques" e todos perceberem que a filosofia que está inerente a este projeto "passa muito por esta coexistência, por devolver muito o espaço aos peões".
Após a apresentação, seguiram-se algumas intervenções, essencialmente por parte de empresários com negócios na zona, que manifestaram preocupações quanto à falta de segurança, de iluminação e de casas de banho e questionaram o sistema de escoamento das águas pluviais.
O presidente da Câmara referiu que o projeto não está fechado, mas “não é uma folha em branco”, adiantando que são sensíveis a ajustamentos. “Já houve aqui sugestões muito pertinentes que a própria equipa técnica mostra recetividade para as acolher e sugestões de melhoria que vamos também analisar politicamente”, concluiu.
A Câmara pretende lançar o concurso para a primeira fase da empreitada ainda no segundo trimestre do ano e, se tudo correr bem, a obra deverá arrancar no início do próximo ano.
“Estamos empenhados em que isto ande para a frente para a melhoria da qualidade de todo aquele bairro para quem lá vive e para quem o utiliza (…) Não seria bom manter o ‘status quo’ que ali existe por muitos mais anos”, adiantou o autarca.
Luís Souto reconheceu que a obra "vai provocar incómodos", mas assegurou que vão ser equacionadas medidas para minorar os impactos da empreitada.
