Caminha alerta Governo para degradação do Forte da Ínsua
Porto Canal/Agências
A presidente da Câmara de Caminha disse ter informado o Ministério da Cultura, que tutela o Forte da Ínsua, para a degradação que o monumento tem vindo a sofrer com a agitação marítima.
O Forte da Ínsua, construído entre 1649 e 1652, encontra-se numa pequena ilha rochosa na foz do rio Minho perto da costa. Está situado na Ínsua de Santo Isidro, na freguesia de União das Freguesias de Moledo e Cristelo, em Caminha, no distrito de Viana do Castelo.
“Parte do paredão do Forte da Ínsua colapsou e a parte de baixo também está a ficar oca. Preocupa-nos bastante que um monumento nacional possa vir a ruir, uma vez que para os próximos dias está previsto um aumento acentuado da agitação marítima”, alertou a presidente da autarquia, Liliana Silva, manifestando “muita apreensão”.
Liliana Silva adiantou ter informado o ministro Carlos Abreu Amorim “para que tenha conhecimento do que está a acontecer”.
Além de ter comunicado a todas as entidades que tutelam aquele monumento, a autarca adiantou ter contactado a DiverLanhoso, a empresa que, em 2019, venceu o concurso público para a concessão do imóvel ao abrigo do programa Revive e que ainda não avançou com o projeto turístico, num investimento estimado de 6,5 milhões de euros.
“Não podemos fazer muito mais neste momento porque não há sequer condições de segurança para irmos ao Forte fazer o que quer que seja. Estamos a falar de uma ilha. Estamos apreensivos para saber o que é que vai acontecer tanto ao paredão da praia de Moledo como ao Forte da Ínsua com a tempestade marítima que vem aí”, disse.
O projeto da DiverLanhoso abrangia uma área bruta de 1.361 metros quadrados, para a criação de "uma modalidade de estabelecimento de hospedagem", com "um número estimado de cerca de 20 quartos e um conjunto de áreas de apoio, zonas de estar, salas de refeições, entre outras estruturas”.
Em fevereiro de 2020, foi anunciado pela autarquia de Caminha que o Forte da Ínsua iria reabrir no início de 2022, transformado em centro de atividades turísticas, num conceito de quatro estrelas, o que não veio a suceder.
Em junho de 2023, o ex-presidente socialista da Câmara de Caminha Rui Lages disse à Lusa que dependia do Governo a solução que permita criar um centro turístico com alojamento no Forte da Ínsua, projeto indeferido pela autarquia por infringir o Plano Diretor Municipal (PDM).
Rui Lages explicou que o projeto turístico “não cumpria as normas do PDM” e recolheu também “pareceres desfavoráveis de várias entidades governamentais”.
Segundo o autarca, a solução pode passar “pela implementação de mecanismos de suspensão do PDM, de uma área concreta e restrita para um certo fim”.
“É uma decisão que o Governo terá de tomar”, sublinhou então Rui Lages.
