Centenas marcham no Porto pelo direito à infância das crianças ucranianas
Porto Canal/Agências
Centenas de pessoas marcharam este domingo da Cordoaria à Câmara do Porto pelo direito à infância das crianças ucranianas, desde as que vivem no país, as deslocadas e as deportadas, nas vésperas do quarto aniversário da invasão russa à Ucrânia.
"As crianças estão a sofrer muito. A infância delas está prejudicada e elas conhecem a palavra 'guerra'. Muitos que foram deslocados que estão aqui presentes também estão com saudades das suas famílias lá na Ucrânia, como da sua casa, dos amigos", começou por dizer à Lusa Lyudmyla Artysh, presidente do Núcleo da Área Metropolitana do Porto da Associação dos Ucranianos em Portugal.
Durante a marcha, colorida pelas cores azul e amarela da bandeira ucraniana, mas que também contou com várias bandeiras portuguesas, houve momentos de silêncio e paragem mas também sons de sirenes emulando os alertas de bomba, ou ainda palavras de ordem como "as crianças não são armas", "a infância não é campo de batalha" ou "glória à Ucrânia".
A responsável lembrou ainda "outras crianças que vivem na Ucrânia e não têm a vida normal por causa dos bombardeamentos” e que por causa do “perigo constante, não conseguem ir estudar como deve ser, muitas vezes à distância".
"Outras crianças, que vivem nas zonas ocupadas, nem podem falar ucraniano, ler livros ucranianos, são obrigados a esquecer tudo o que é da identidade delas e isto também é uma grande ameaça", frisou Lyudmyla Artysh, considerando "injusto retirar a memória às crianças".
Já outras crianças "roubadas, deslocadas para a Rússia à força", que a responsável estimou em cerca de 20.000, "estão mesmo a perder a sua identidade lá", considerando que "têm o direito, como nasceram ucranianas, a crescer como os ucranianos".
"Esta guerra é a guerra da nossa identidade", frisou, lembrando que "hoje, por todo o mundo, há destas manifestações focadas no problema das crianças deportadas" e que é necessário "pressionar muito mais o regime do Kremlin para eles devolverem todas as crianças roubadas".
Já o cônsul da Ucrânia no Porto, Andrii Vdovychenko, disse aos jornalistas que a Ucrânia "está a lutar pelo respeito pelo Direito Internacional em todas as instâncias internacionais possíveis" relativamente a este tema.
"Cada comunidade ucraniana em cada país, também em Portugal, pede às autoridades ajuda, de qualquer forma, para trazer as crianças de volta", disse o responsável, assinalando que "a assistência do povo português e do Estado português foi enorme", agradecendo-a e detalhando que a última ajuda se relacionou com infraestruturas de energia.
Questionado sobre se é possível ajudar mais, Andrii Vdovychenko disse que "há sempre forma de ajudar mais", salientando que a Ucrânia "agradece qualquer ajuda de qualquer país, incluindo de Portugal".
De acordo com a UNICEF, à entrada no quinto ano de guerra, um terço das crianças da Ucrânia, quase 2,6 milhões, continuam deslocadas. Cerca de 1,8 milhões dessas crianças vivem como refugiadas fora do país e mais de 791 mil estão deslocadas dentro da Ucrânia.
Pelo menos 3.200 crianças morreram ou ficaram feridas durante os quatro anos de guerra.
