Idosos de Gaia voltam a ter Andante comparticipado com cartão Gaia Amiga
Porto Canal/Agências
O presidente da Câmara de Gaia anunciou esta quinta-feira que, a partir de março, as pessoas com mais de 65 anos e pensionistas poderão usufruir do cartão Gaia Amiga e ter o passe Andante totalmente ou em parte comparticipado.
No final de dezembro de 2025, a autarquia suspendeu o programa de apoio aos passes dos idosos criado pelo anterior executivo socialista, o ViverGaia+65, que comparticipava o Andante da terceira idade em 17,50 euros, num total de 22,50 euros, por considerar essa uma medida "completamente irresponsável".
O cartão Gaia Amiga poderá abranger cerca de 60 mil pessoas com mais de 65 anos e pensionistas residentes neste concelho do distrito do Porto, adiantou Luís Filipe Menezes.
O social-democrata explicou que os pensionistas com direito a Complemento Social do Idoso (CSI) terão o passe Andante comparticipado a 100%.
“Até agora, estes idosos pagavam uma comparticipação de cinco euros e mais cinco euros para o primeiro cartão. O cartão é, agora, oferecido pela câmara municipal e as pessoas que têm CSI não pagarão nada”, especificou.
Já os pensionistas com rendimento inferior a 750 euros de reforma terão direito ao pagamento de 17,5 dos 22,5 euros do custo do Andante, sublinhou.
“As pessoas que não têm CSI, mas têm rendimentos baixos, pagarão o que pagavam no passado, ou seja, cinco euros e não pagarão o cartão”, ressalvou.
Luís Filipe Menezes destacou ainda que o cartão Gaia Amiga, que poderá ser levantado a partir de 15 de março nos serviços municipais de atendimento, dará direito a 50% de desconto em todos os eventos culturais que não sejam de entrada livre.
Os utilizadores do cartão, que terá nome e fotografia, poderão ainda entrar livremente em todos os museus e monumentos municipais e à inscrição em cursos de desporto, ginástica e piscinas municipais, assinalou.
“O cartão agora vai ter fotografia e nome precisamente para ter essa dupla validade, não servir só para o transporte público, mas poder ser mostrado nos equipamentos que as pessoas vão utilizar e identificar as pessoas que os utilizam”, frisou.
A partir do segundo mês, o cartão poderá ser recarregado mensalmente em qualquer posto de carregamento Andante de forma gratuita para os titulares de CSI e com o pagamento de cinco euros para os restantes.
O autarca apontou que esta medida terá um custo aproximado de quatro milhões de euros por ano.
No final de dezembro, o PS denunciou o corte "abrupto" do programa ViverGaia+65, criticando a "decisão tomada de ânimo leve, destituída de sensibilidade social e sem informar previamente os beneficiários".
"Subitamente, milhares de subscritores do cartão Andante Municipal 3.ª Idade/'ViverGaia+65' ficam assim desprotegidos de um apoio essencial para grande parte dos utilizadores, além de incentivar a utilização do transporte público e de fomentar a mobilidade no concelho", consideravam os cinco vereadores do PS/Gaia, que assinavam o comunicado.
Luís Filipe Menezes explicou então que o ViverGaia+65 estava "a ser reavaliado" e seria retomado em 2026.
"Esse programa de transportes está a ser reavaliado e será retomado em 2026, tudo faremos para que tal seja possível já no mês de fevereiro, mas, prioritariamente, para quem mais precisa, os mais débeis da nossa comunidade: pensionistas de escalões baixos e idosos de pensões mais baixas", publicou na rede social Facebook o presidente da câmara.
Na quarta-feira, os vereadores do PS em Gaia anunciaram que iam propor, numa reunião extraordinária a seu pedido, a reposição do apoio aos passes dos idosos.
"Os vereadores do Partido Socialista entendem ser esta a altura de um novo programa de apoio às famílias, o GAIA + FAMÍLIAS, com duas novas medidas e a recuperação do apoio ao Andante Municipal da 3.ª Idade”, dizia o requerimento.
Questionado esta quinta-feira sobre se a apresentação do cartão Gaia Amiga era uma resposta ao PS de Gaia, Luís Filipes Menezes afirmou que não costuma ler “a literatura dos vereadores do PS”.
“Não li, não faço ideia. Não costumo ler a literatura dos vereadores do PS, os vereadores do PS estão a treinar para as eleições de 2037, portanto, vão-se cansar imenso”, atirou.
Luís Filipe Menezes destacou que a câmara mostra com esta iniciativa que a solidariedade social se desenvolve com “reflexão e diálogo” e não com “populismos irresponsáveis e insustentáveis”.
