Peso da Régua alerta para probabilidade “muito elevada” de cheias

Peso da Régua alerta para probabilidade “muito elevada” de cheias
Foto: CM Peso da Régua
| Norte
Porto Canal/Agências

O presidente da Câmara de Peso da Régua alertou para a probabilidade “muito elevada” de se virem a registar cheias junto ao rio Douro, salvaguardando que neste momento a situação está “estabilizada, mas com tendência para agravamento”.

“A probabilidade de haver efetivamente cheia na Régua é muito elevada, porque agora o rio ainda está só em zona de leito, mas a tendência é para agravamento em função daquilo que são as previsões meteorológicas”, disse José Manuel Gonçalves, cerca das 10h30, em declarações à agência Lusa.

O autarca alertou para a saturação dos terrenos e das barragens que estão na sua capacidade máxima.

“Se se confirmar que teremos níveis de pluviosidade dos mais elevados desde que há registos, chegaremos a uma altura em que não há capacidade para gerir este conjunto de barragens”, referiu o autarca.

José Manuel Gonçalves retirou que o dispositivo municipal de Proteção Civil está “todo em alerta e o centro de coordenação a funcionar 24 horas”.

“Vamos monitorizando e vamos antecipando e avisando as pessoas e ajudando as pessoas a salvaguardar-se”, concluiu.

Num ponto de situação à mesma hora, o comandante dos Bombeiros Voluntários do Peso da Régua, Rui Lopes, contou que o rio Douro atingiu um pico durante a noite e o bar que fica numa das margens esteve "a cerca de 15 centímetros de ficar totalmente submerso", mas entretanto o caudal baixou "cerca de 30 a 40 centímetros, mais ou menos aquilo que é o telhado do bar".

"Estamos em total vigilância. Temos a agravante de as pessoas se quererem aproximar e, o que peço, é que não o façam e se resguardem", referiu Rui Lopes, acrescentando que, no Peso da Régua, no distrito de Vila Real, há uma estrada interdita no acesso à união de freguesias de Galafura e Covelinhas.

Já na sua página no Facebook, o município do Peso da Régua reforça que, "na sequência da precipitação intensa e persistente registada nos últimos dias, se mantém uma situação de risco elevado associada à instabilidade dos solos, com potencial impacto na segurança de terrenos, muros, taludes e infraestruturas".

"A saturação dos solos aumenta significativamente a probabilidade de ocorrência de derrocadas, deslizamentos de terras, abatimentos e movimentos de massa, sobretudo em zonas de encosta, áreas ribeirinhas e locais já fragilizados", lê-se na publicação, na qual são feitas recomendações à população como adiar intervenções não urgentes em terrenos, muros, taludes e estruturas exteriores.

A autarquia também pede que sejam vigiados sinais de instabilidade, como fendas no solo, inclinação de árvores ou postes, fissuras em paredes, portas ou janelas empenadas, se evite a permanência e circulação em zonas de risco, nomeadamente na base de encostas e taludes instáveis, e se garantam condições de segurança antes de realizar qualquer intervenção ou limpeza.

Vários distritos do continente e os arquipélagos da Madeira e Açores voltam a estar a partir desta terça-feira sob avisos devido ao vento, chuva, agitação marítima e queda de neve devia a uma nova depressão, segundo o IPMA.

O mau tempo que se tem feito sentir no país já provocou 10 mortes desde a semana passada.

A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante as reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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