Rubens Júnior: “A equipa vive um ótimo momento, mas é preciso estar sempre em alerta máximo”

Rubens Júnior: “A equipa vive um ótimo momento, mas é preciso estar sempre em alerta máximo”
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Porto Canal

O FC Porto joga, ao final da tarde, em Plzeň a sétima jornada da Liga Europa e, perante a previsão meteorológica que aponta para temperaturas negativas à hora do encontro (17h45, Sport TV5), Rubens Júnior explica que o frio “influencia bastante” e frisa que “o pré-aquecimento é muito importante e aquecer bem também”.

O contexto fá-lo recuar à única vitória do FC Porto na Chéquia, em 1999, um 2-0 no reduto do Sparta de Praga: “Sabia que ia ser um jogo difícil, principalmente pelas condições climatéricas e pelas dimensões do campo. Na altura, o pé congelava tanto que tínhamos de colocar um saco de plástico para depois calçar a meia. O mais complicado nesses locais é aquecer os pés e as mãos, não é o corpo. Hoje certamente já ninguém usa sacos, mas é importante entrar quente para evitar lesões e atingir o nível desejado porque é preciso intensidade máxima desde o início. Com o frio, a tendência é sofrer mais nos primeiros minutos”.

Em declarações originalmente publicadas no Travel Guide disponibilizado aos parceiros que viajaram no avião que levou a comitiva portista até Praga, o antigo ala brasileiro que venceu duas Supertaças e duas Taças de Portugal de azul e branco recordou a chegada “às escuras” ao Clube e utilizou a “deceção muito grande” de não ter conquistado o hexacampeonato em 2000 para aconselhar o atual plantel: “O grande desafio dos jogadores é superarem-se. Aquela conversa de “já ganharam, faltam só três pontos” fica para a imprensa. Essa mensagem é passada muitas vezes pelo míster Farioli, ele quer foco em cada jogo e já sublinhou que não se ganha nada em dezembro, em janeiro ou em fevereiro. Talvez em maio se possa ganhar, mas até chegar lá há que duvidar sempre.”

A 23 de novembro de 1999, foi titular na única vitória do FC Porto na Chéquia. Derrotaram o Sparta de Praga, na segunda fase de grupos da Liga dos Campeões, com golos do Drulović e do Jardel (2-0). Que memórias guarda desse jogo?
Tinha aquela expectativa de estar a disputar a primeira Champions, tinha acabado de chegar ao Clube e era uma novidade. Encontrei um ambiente mais frio do que já tinha enfrentado em Portugal, isso foi um desafio maior, mas já contava. Sabia que ia ser um jogo difícil, principalmente pelas condições climatéricas e pelas dimensões do campo. O estádio era pequeno, tinha capacidade para 15 ou 18 mil pessoas, mas a equipa deles era muito boa. Eram essas as informações que tínhamos. Eles tinham um médio, o Tomáš Rosický, era o grande destaque da equipa deles, mas todos os jogadores eram competitivos. Lembro-me que tinha muita vontade de jogar, de mostrar aos adeptos, ao míster Fernando Santos e à direção que tinham contratado um bom jogador, então queria muito ajudar a equipa. Acabámos por superar o frio e conseguimos ganhar.

Foi o amuleto da sorte. Saiu para dar lugar ao Drulović, que viria a marcar um golo e a fazer uma assistência para o Jardel.
É verdade. Brincámos no balneário por causa disso. Eu cansei muito o adversário, corri muito no corredor com o Esquerdinha, formámos uma dupla muito forte. O Fernando Santos tinha essa estratégia de colocar muita gente ali e desgastar muito o adversário. Depois o Drulović entrava com a experiência dele e fazia a diferença.

Eles formavam uma dupla infalível?
Tinham um simbolismo muito grande. Quando estavam os dois em campo, era sinal de que alguma coisa ia acontecer. O mais comum era o Drulović cruzar para o Jardel fazer o golo. Foi isso que aconteceu e vencemos um jogo importante que ficou marcado na história do FC Porto porque, além de termos vencido fora, fomos os primeiros a vencer naquele país.

As equipas checas eram mais fortes do que atualmente?
Acho que sim. Principalmente o Sparta de Praga, era muito difícil jogar lá. Eram sempre candidatos a passar a fase de grupos. Estávamos num grupo com o Barcelona, mas eles eram o nosso concorrente direto porque o Barcelona destacava-se muito na altura. Foi uma vitória importante.

São esperadas temperaturas negativas em Plzeň. É algo que dificulta muito a performance dos atletas?
Influencia bastante. O pré-aquecimento é muito importante e aquecer bem também. Na altura, o pé congelava tanto que tínhamos de colocar um saco plástico para depois calçar a meia. O mais complicado nesses locais é aquecer os pés e as mãos, não é o corpo. O frio nas mãos ainda se tolera porque não as vamos usar, mas com os pés sofríamos muito. Perdíamos a sensibilidade. Hoje certamente já ninguém usa sacos, mas é importante entrar quente para evitar lesões e atingir o nível desejado porque é preciso intensidade máxima desde o início. Com o frio, a tendência é sofrer mais nos primeiros minutos, a preparação deve ser diferente do habitual: começar mais cedo, passar os bálsamos para proteger e fazer o máximo para que não se sinta a diferença de temperatura.

A temperatura foi uma das diferenças que encontrou quando se mudou para a Europa. Chegou do Palmeiras para reforçar um FC Porto pentacampeão. Como era visto o Clube no Brasil, na altura?
O FC Porto já era considerado grande no Brasil e para os brasileiros. Já tinha conquistas, nomeadamente a Liga dos Campeões, tinha prestígio e uma referência, o Jardel. Ele era um grande avançado, um nome importante e destacava-se muito. Infelizmente não conseguíamos ter o mesmo acesso que há hoje a todos os campeonatos. Atualmente, vás para onde vás, consegues acompanhar as ligas que quiseres. Nós não tínhamos essa possibilidade, mas conhecíamos a história do Clube. Foi um bocadinho assim, às escuras, que eu cheguei às Antas. Ao ver a dimensão do estádio é que realmente percebi que estava num patamar muito elevado.

Tinha acabado de vencer uma Libertadores e entra num balneário com nomes fortes como Jorge Costa, Vítor Baía, Aloísio, Secretário, Paulinho Santos, Rui Barros e até Jardel, que já mencionou. Como foi recebido?
Tínhamos um grupo muito bom, fui muito bem recebido. Havia muitos jogadores consagrados, apesar de serem novos, mas sempre me dei bem com todos. As discussões ou intervenções que existiam eram coisas que ficavam em campo. A minha amizade estendeu-se, inclusive, para fora do balneário com alguns jogadores como o Vítor Baía, o Ricardo Silva, o Deco ou o Aloísio. Frequentávamos a casa uns dos outros e jantávamos juntos. Às vezes acontece as amizades ficarem dentro do balneário e não se prolongarem para o lado familiar por várias razões, mas as famílias dos meus colegas acolheram-me como um filho e foi muito bom.

Conquistou Supertaças e Taças de Portugal, mas nunca um campeonato. Ficou com esse sentimento amargo?
Fiquei com essa marca porque o hexacampeonato estava na nossa mão. Fomos perder o campeonato no Algarve, num jogo que estava ao nosso alcance. O Sporting estava um ponto atrás e só tínhamos de ganhar o jogo. Não aconteceu por desastre nosso. A equipa estava muito bem, não sei o que aconteceu naquele jogo, mas não conseguimos a vitória, o Sporting passou para a frente e foi campeão. Foi uma deceção muito grande, nunca mais nos conseguimos ajustar.

Esse episódio serve de aviso para os jogadores.
O grande desafio dos jogadores é superarem-se. Aquela conversa de “já ganharam, faltam só três pontos” fica para a imprensa. Essa mensagem é passada muitas vezes pelo míster Farioli, ele quer foco em cada jogo e já sublinhou que não se ganha nada em dezembro, em janeiro ou em fevereiro. Talvez em maio se possa ganhar, mas até chegar lá há que duvidar sempre. Nós já estávamos praticamente em maio, faltava muito pouco e tivemos aquele deslize que nos impediu de entrar para a história. Isso foi o mais difícil de assimilar, ainda mais do que não conquistar o título. Seria o máximo na história, algo que poucos vão conseguir, se alguma vez conseguirem. Por isso digo que foi a maior deceção, tristeza e frustração que tive.

Destacava-se pela velocidade e pela qualidade no cruzamento. Com que futebolista do atual plantel mais se assemelha?
Identifico-me com o Francisco Moura pela questão da posição e de ter qualidade para servir bem os colegas e fazer assistências. No jogo de Praga, por exemplo, eu joguei a extremo, jogávamos em 4-3-3 e comecei eu, o Capucho e o Jardel na frente. O Fernando Santos queria que eu subisse e voltasse sempre, não saía tanto, e escolhia-me por ser rápido também. Nesse aspeto, identifico-me com o William Gomes, que é muito veloz, tem um grande poder de explosão e consegue surpreender. Portanto, diria que eu era uma mistura dos dois.

Como avalia a primeira metade da época?
A primeira metade da época foi quase perfeita. Só não foi perfeita porque faltou a vitória contra o Benfica e houve a eliminação da Taça da Liga, mas acho que no futebol isso é quase perfeição porque dificilmente se vê uma equipa chegar à 17.ª jornada sem perder, sempre a ganhar tudo, é muito raro. A equipa deu um passo muito grande em frente, mas ao mesmo tempo tem de ter muita cautela e segurança porque ainda não ganhou nada. É aquela velha história de ainda não ter ganho nada e já pensar que já chega. É nesses momentos de relaxamento e satisfação que há perigo. Este é um momento ótimo, mas é preciso estar sempre em alerta máximo.

Na Liga Europa, é fundamental garantir o apuramento direto para os “oitavos” de forma a evitar maior sobrecarga no calendário?
Acho que é muito importante por dois fatores. Primeiro porque se evitam dois jogos, o que é ótimo. Vemos agora em janeiro o tempo que, por ter sido eliminada da Taça da Liga, a equipa teve para integrar novos jogadores, para os que já cá estavam recuperarem fisicamente e para o treinador trabalhar dinâmicas diferentes. É muito positivo ter este tempo que serve ainda para haver algum relaxamento mental, que é um aspeto fundamental. Além da exigência externa, os jogadores têm a própria exigência, que é ainda maior, então ter um espaço para a libertar um pouco é benéfico. É um período importante para que todos voltem à máxima força. Além deste descanso, há a questão da moral. Estar entre os oito primeiros classificados dá confiança e faz os adversários terem ainda mais respeito, ainda para mais há uma maior chance de defrontarmos uma equipa teoricamente mais fácil na fase a eliminar.

Habituou-se a viver épocas com muitos jogos. Que conselhos deixa aos atletas numa fase em que todas as provas se decidem em simultâneo?
Os principais conselhos que dou são descanso total e foco total. Digo-o para qualquer situação, mas reforço para esta, porque todos sabemos a importância do momento que vivemos. Estamos na posição em que gostaríamos de estar. Se disséssemos aos jogadores, no início da época, que em dezembro ou janeiro íamos estar assim, todos aprovariam. Por isso, agora é altura de abdicar de ainda mais coisas para alcançar o título e, quando for mais difícil, há que pensar no início e no patamar a que conseguiram chegar. Não pode haver facilitismos por parte dos atletas, não podem baixar a intensidade, pelo contrário devem procurar evoluir e manter a união que os carateriza. Às vezes os jogadores têm certas vaidades que acabam por prejudicar a equipa, mas é importante que tenham presente que, sendo campeões, todos valorizam, são felizes e ganham bons contratos.

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