Câmara de Ovar solidária com os 163 despedidos da Yazaki Saltano
Porto Canal/Agências
A Câmara de Ovar manifestou “total solidariedade” com os 163 trabalhadores despedidos pela Yazaki Saltano, dos quais cerca de 74 residem no concelho, anunciando a disponibilização de todos os meios municipais para os ajudar.
Justino Pereira, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (Site) - Centro Norte, revelou à Lusa que a multinacional japonesa, vai despedir 163 trabalhadores na fábrica de Ovar, após ter dispensado mais de 300 em meados de 2025, tendo comunicado a decisão aos visados na quinta-feira, com efeito imediato.
Segundo o dirigente sindical, a justificação avançada pela empresa – que produz cablagens e sistemas elétricos e eletrónicos para as grandes marcas europeias – “não foge muito às alegações feitas no ano passado [2025]”, nomeadamente a aposta num maior desenvolvimento tecnológico, na robótica e na inteligência artificial.
Neste quadro, com “impacto social e humano significativo na vida dos trabalhadores e das suas famílias, o município reafirma a sua total disponibilidade para apoiar todos os munícipes afetados, assegurando o necessário acompanhamento social, psicológico e de reinserção profissional, no quadro das suas competências e dos instrumentos ao seu dispor”, lê-se no comunicado.
A câmara do distrito de Aveiro garante que, através do “Gabinete de Inserção Profissional, da Divisão de Desenvolvimento Social e dos restantes serviços municipais que se revelem necessários (…), colocará à disposição dos trabalhadores os meios ao seu alcance para apoiar os processos de reintegração no mercado de trabalho e mitigar os impactos pessoais e familiares decorrentes desta situação”, prossegue o comunicado.
“Embora se trate de uma decisão de natureza privada, enquadrada no contexto concorrencial do setor automóvel, a Câmara Municipal de Ovar não pode deixar de expressar a sua preocupação com as consequências desta medida e acompanhará de perto as suas implicações sociais”, afirmando-se como “um concelho solidário, onde ninguém é deixado para trás”.
Segundo Justino Pereira, o facto é que, dos 163 trabalhadores abrangidos pelo despedimento coletivo, “só sete é que são de áreas especializadas, o resto é tudo produção, manutenção, logística ou qualidade”, ou seja, “trabalhadores que têm os salários mais baixos, que ganham 3% ou 4% acima da tabela, quando há quadros superiores e administrativos que ganham 200% e 300% acima”.
Lembrando que, em meados do ano passado, a Yazaki Saltano tinha já despedido 304 trabalhadores em Ovar, o dirigente do Site-Centro Norte contrapõe que, “nos últimos 10 anos, a empresa teve lucros líquidos para cima de 60 milhões de euros, numa média de seis milhões por ano”.
