Bragança integra projeto transfronteiriço que vai estudar envelhecimento ativo
Porto Canal/Agências
Cerca de 350 pessoas, com mais de 60 anos, do concelho de Bragança, vão integrar o projeto transfronteiriço Iberlongeva, apresentado esta quinta-feira, que vai estudar vários fatores sociais e de saúde, com o objetivo de identificar sinais de fragilidade.
No total vão ser envolvidas 1.000 pessoas de Bragança, de Zamora e de Ourense, dos dois países, Portugal e Espanha, que através de equipas de trabalho vão recolher dados, para a criação de um observatório de longevidade, e que depois de interpretados vão permitir fazer recomendações de forma preventiva, ou seja, atuar antes de aparecerem os problemas.
Segundo avançou, à Lusa Hélder Fernandes, professor do Instituto Politécnico de Bragança e coordenador do projeto em Portugal, um quinto da população no concelho de Bragança tem mais de 65 anos, mas prevê-se que este número aumente e em 2050 passe a um terço da população.
Por outro lado, é das regiões do país onde “as pessoas vivem mais do que a média nacional”. De acordo com dados avançados na apresentação do projeto, em Bragança, a partir dos 65 anos, a média de vida é de mais 22 anos, enquanto a média nacional se fica pelos mais de 19 anos.
De acordo com Hélder Fernandes este estudo vai permitir tirar conclusões e perceber porque é que no nordeste transmontano a média de vida é mais alta e, para isso, vão ser analisados vários fatores.
“No módulo social vamos querer perceber as condições de vida das pessoas, como vivem, com quem vivem, que apoios recebem e que apoios dão, porque sabemos que há pessoas com mais de 65 anos que são cuidadores. (…) Depois temos módulos dedicados à atividade física e ao exercício físico, módulos dedicados aos hábitos nutricionais e alimentares, temos ainda módulos dedicados à saúde mental”, disse.
A iniciativa partiu do Centro de Investigação de Envelhecimento, da Universidade de Salamanca, que percebeu que Portugal e Espanha são dos “países do mundo onde mais se vive”.
À Lusa, Juan Martín sublinhou que o “bem-estar é um ativo económico” e que nunca se viveu “tanto” como na sociedade atual, o que cria desafios, como a criação de medidas que previnam a fragilidade.
“Temos um sistema de saúde pensado para a enfermidade, aparece a doença e tem que se curar”, apontou, acrescentando que em Espanha 70% dos gastos na saúde são dedicados às doenças, “muitas evitáveis” e 3% apenas à prevenção.
Por isso, entende que é preciso “mudar o foco” do sistema de saúde, uma vez que para um envelhecimento ativo é preciso pôr em marcha um plano preventivo. “O que temos de fazer é melhorar, reverter o aparecimento da doença”, defendeu.
O projeto Iberlongeva vai arrancar no início do próximo ano e vai decorrer ao longo de dois anos, envolvendo o Instituto Politécnico de Bragança, a Universidade de Salamanca e a Universidade de Vigo.
