Município de Bragança aumenta fatura da água devido a prejuízo e PSD critica
Porto Canal/Agências
O município de Bragança determinou, em reunião de câmara, que vai aumentar as tarifas da fatura da água, no próximo ano, face aos avisos da entidade reguladora e aos prejuízos dos anteriores executivos.
A presidente da câmara, Isabel Ferreira, explicou, à Lusa, que foi feita “uma correção tarifária”, com um aumento de 34 cêntimos por m3 na taxa de saneamento, de 15 cêntimos por m3 na taxa de resíduos sólidos e 22,5 cêntimos por m3 na taxa da água, mas que considera “essencial”.
A título de exemplo, a autarca adiantou que uma família que pague uma fatura de 25 euros, passará a pagar 25,72 euros.
Isabel Ferreira salientou que esta medida faz parte de uma “gestão prudente” e garantiu que famílias carenciadas e numerosas não serão abrangidas.
“Existe um parecer da ERSAR (Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos) que recomenda a atualização destes valores, sobretudo porque nós temos um prejuízo muito significativo”, afirmou a autarca, adiantando que o prejuízo, que se vem “acentuando e acumulando” ao longo dos últimos mandatos, ultrapassa os 730 mil euros.
De acordo com Isabel Ferreira, os anteriores executivos ignoraram os avisos da ERSAR, para a atualização das taxas, assumindo “uma gestão de risco e que hoje tem consequências”.
A atualização dos tarifários dos serviços de águas e resíduos foi discutida na reunião de câmara desta sexta-feira. A medida não foi consensual, contando com os votos contra dos dois vereadores do PSD.
Em declarações à Lusa, a vereadora do PSD, Ana Soares, salientou que estes aumentos vão ter um grande impacto na fatura da água e, consequentemente, na carteira dos brigantinos.
“É uma decisão política que é olhada com lógica meramente financeira, quando o que estão em causa são diretos humanos básicos, de um serviço público e essencial como todos nós compreendemos”, afirmou.
Segundo a vereadora sem pelouros, o anterior executivo liderado pelo PSD “assumiu sempre o prejuízo global dos três serviços– cerca de 700.000 euros/ano- precisamente porque entendia que a função de um município é garantir justiça e coesão social”.
“A água não pode ser transformada num negócio, nem pode ser gerida como se de um negócio se tratasse. Quando os modelos de gestão colocam os números e a aritmética acima das pessoas, nós consideramos que estão a falhar no seu propósito mais digno, que é o serviço público”, vincou Ana Soares.
Confrontada com o executivo anterior assumir o prejuízo para não aumentar a fatura da água dos brigantinos, a presidente da câmara de Bragança esclareceu que no próximo ano os pareceres da ERSAR serão “vinculativos” e “se nada for feito agora, a própria entidade irá impor estes aumentos tarifários muito superiores e com impacto direto nas famílias e empresas”.
“Queremos proteger os munícipes de cenários muito mais penalizadores no futuro. Estamos a propor uma atualização tarifária gradual e com critério, que vai garantir uma estabilidade no médio prazo, vai cumprir as regras regulatórias, vai evitar aumentos forçados e abruptos no futuro e vai defender os interesses das famílias e empresas locais”, rematou.
