Concurso para construção por 30 milhões de euros de ponte sobre rio Maças ficou deserto
Porto Canal/Agências
O concurso público para a construção da ponte sobre o rio Maças e acessos para a ligação Vimioso-Carção, com prolongamento para a autoestrada A4, ficou deserto, disse esta quarta-feira o autarca de Vimioso, que considerou a situação “lamentável”.
“Eu não sei se todos os procedimentos para este concurso público foram acautelados pelas entidades intervenientes no processo. O que é certo é que o concurso para empreitada que estava inicialmente orçada de 30 milhões de euros ficou deserto”, indicou à agência Lusa, o presidente da Câmara de Vimioso, António Santos.
O autarca do município do distrito de Bragança considerou “lamentável” que este concurso público internacional “tenha ficado deserto”.
Para o autarca social-democrata, esta ligação da A4 à capital de distrito, Bragança, é de vital importância, não só para o concelho de Vimioso, mas também para os concelhos vizinhos de Mogadouro, Miranda do Douro ou até Freixo de Espada à Cinta.
“As reações por não haver desenvolvimentos para esta ligação de vital importância para o Planalto de Mirandês, como foi anunciado em meado de julho pelo ministro da Infraestruturas [Miguel Pinto Luz], são de revolta, desencanto, porque há dezenas de anos que esperamos por esta ligação”, enfatizou o autarca.
António Santos disse esperar do Governo e da Infraestruturas de Portugal (IP) “mais ação e menos promoção, e mais obra e menos palavra”.
Contactada pela agência Lusa, fonte da IP esclareceu que não foram apresentadas propostas válidas ao concurso para a empreitada de construção da Ponte sobre o rio Maçãs, na Estrada Nacional 218.
“Iremos ajustar os procedimentos prévios necessários para, com a maior brevidade possível, promover o lançamento de um novo concurso público”, indicou a mesma fonte, sem indicar datas.
Em 4 de abril, o Governo autorizou a IP a disponibilizar 30 milhões de euros, repartidos por quatros anos, para prosseguir com os estudos e ações para a construção da ponte rodoviária Vimioso–Carção, sobre o rio Maçãs.
“Conforme decorre da Resolução do Conselho de Ministros nº 69/2025, de 10 de março, a ponte sobre o rio Maçãs é um dos investimentos rodoviários identificados como prioritários por este Governo, tendo sido determinado à Infraestruturas de Portugal, S.A. que prossiga com os estudos e ações tendo em vista a concretização do mesmo”, indicou na altura o Ministério das Infraestruturas, em resposta à agência Lusa.
Em 20 de março, foi publicado em Diário da República que a dotação financeira para dar andamento aos trabalhos da ponte sobre o rio Maçãs terá uma cabimentação pública de 500 mil euros para 2025, oito milhões de euros para 2026, 14,5 milhões de euros para 2027 e sete milhões para 2028.
O concurso público internacional em causa foi lançado em junho.
A ideia desta ligação começou a ganhar forma em 1998, com a ligação a Bragança pela margem esquerda do rio Sabor, ligando Vimioso a Outeiro, a qual “não foi autorizada por diversos pareceres ambientais devido a uma colónia do famoso rato-de-cabrera”, lembrou o autarca social-democrata.
Em março de 2009, a construção de uma estrada naquele local foi travada pela presença de uma colónia de ratos-de-cabrera, protegidos pela União Europeia, e a opção foi definitivamente abandonada pelo governo de então, que optou como solução pela construção da ponte sobre o rio Maçãs e respetivos acessos, devido aos "inúmeros condicionalismos ambientais".
Em dezembro de 2022, a então ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, garantia “a possibilidade de financiamento” da ligação Vimioso-Carção, com a respetiva ponte, “por se tratar de um caso excecional” para estradas que correspondam a ligações transfronteiriças.
