Peripécia estreia “Desconectados” em Vila Real e reflete sobre redes sociais

Peripécia estreia “Desconectados” em Vila Real e reflete sobre redes sociais
Foto: Peripécia | Facebook
| Norte
Porto Canal/Agências

A Peripécia estreia na terça-feira, em Vila Real, a peça “Desconectados” que reflete sobre as redes sociais e chama a atenção para um “futuro próximo” em que todos são obrigados a estar ligados neste mundo virtual.

“É uma reflexão. Possivelmente já estamos muito neste caminho e por isso digo um futuro próximo, não sei quanto temos de consciência da falta de estar conectados com as coisas importantes”, afirmou Noelia Dominguez aos jornalistas, depois de um ensaio da nova produção da Peripécia Teatro que se estreia na quarta-feira, na aldeia de Benagouro, concelho de Vila Real.

“Desconectados” resulta de um desafio lançado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e é uma peça inspirada na obra "Medula", de Marta Pais Oliveira, vencedora do prémio Nortear.

Noelia Dominguez, que faz parte da companhia, explicou que a escolha da Peripécia recaiu neste conto porque aborda a temática das redes sociais, a qual considerou ser “bastante atual e pertinente”.

“O espetáculo surge daí. É uma temática atual, mas é contada através de um futuro próximo e próximo porque, por enquanto, ainda não somos obrigados a estar ligados às redes sociais”, apontou.

No mundo de “Desconectados” os habitantes são obrigados a fazer publicações nas redes sociais para “poderem comer, inclusivamente”.

“Ou seja, para sobreviver têm de estar conectados. Há um personagem em que a ansiedade de querer sempre estar ligado e ser aceite pelos outros o leva a uma depressão e a isolar-se das redes e depois sofre as consequências do sistema, que lança um alarme”, contou Noelia Dominguez, sem querer avançar mais sobre esta história.

O título “Desconectados” é, na sua opinião, ambíguo, porque não se sabe “quem está mais desconectado, se é quem está ligado à Internet às redes sociais ou quem se afasta completamente deste mundo digital e virtual".

Esta é, referiu, uma “tragédia atual, mas contada com humor”, que é o registo característico da companhia de teatro.

A peça é interpretada por Sérgio Agostinho e Ángel Fragua e em palco não existe qualquer objeto real.

“Tudo é dado com a mímica do ator e com a luz [laser] e a música. Os três estão muito bem entrelaçados. Tudo parece como um jogo onde os objetos não são reais, parece que estamos num mundo artificial”, referiu Noelia Dominguez.

A música é da responsabilidade de Tiago Santos.

O espetáculo quer impactar a comunidade, nomeadamente os mais jovens.

A estreia acontece no âmbito da “Lua Cheia Arte na Aldeia”, iniciativa da Peripécia Teatro que se realiza todos os meses nas noites de lua cheia e acolhe espetáculos de teatro, música, cinema, dança e/ou exposições de arte, no Centro Cultural e Recreativo de Benagouro, aldeia do concelho de Vila Real, onde a companhia tem o seu espaço de trabalho.

Lançada em 2014, a iniciativa quer colocar a arte em diálogo com o espaço e comunidade rural e resultou da necessidade da equipa da Peripécia em se abrir à sua comunidade local.

Depois da estreia na terça-feira, “Desconectados” tem nova sessão marcada para quarta-feira, dia em que a companhia vai ter disponível tradução em língua gestual e ainda serviço de ‘babysitting’.

A Peripécia Teatro foi fundada em 2004 e, em 2007, estabeleceu-se em Vila Real, contando no seu repertório com peças como "Vincent, Van e Gogh", "Sou do Tamanho do que Vejo", "Novecentos. O Pianista do Oceano", "Mamã?!", "1325", o "Ensaio dos abutres" e, mais recentemente, “Loba”, que chama a atenção para esta espécie protegida.

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