Livre admite compra do CC Stop pela Câmara do Porto "se não houver outra hipótese"

Livre admite compra do CC Stop pela Câmara do Porto "se não houver outra hipótese"
Foto: Pedro Benjamim | Porto Canal
| Porto
Porto Canal/Agências

O cabeça de lista do Livre à Câmara do Porto, Hélder Sousa, admitiu esta segunda-feira a compra do centro comercial Stop pela autarquia "se não houver outra hipótese" para manter aquele espaço como centro de criação artística independente.

"Se não houver outra hipótese, isso é uma possibilidade que temos que estudar. A nossa proposta é estudar essa possibilidade, se não houver outra alternativa, e se não chegarmos a um entendimento com os proprietários", disse esta segunda-feira Hélder Sousa aos jornalistas no Centro Comercial Stop, que funciona há vários anos como centro de salas de ensaios para músicos e artistas.

Acompanhado pelo porta-voz do Livre Rui Tavares, e pelos deputados eleitos pelo distrito do Porto Jorge Pinto e Filipa Pinto, o candidato autárquico considerou que o "edifício tem um valor simbólico para o Porto e para a sua história musical contemporânea, demasiado importante" para se perder o seu "uso público".

Hélder Sousa considerou ainda que a Câmara do Porto, que chegou a fechar temporariamente o espaço, em julho de 2023, por razões de segurança, "poderia ter sido mais ágil em encontrar uma solução infraestrutural para este problema".

"O principal problema do Stop é serem múltiplos proprietários e não chegarem a um acordo. Mas, dado o caráter cultural e o interesse público que estes espaços têm, a autarquia deve chegar-se à frente, deve avançar para encontrar uma solução de segurança, no fundo, que agrade a toda a gente, às autoridades, que mantenham as condições de segurança, mas também as questões de independência e a qualidade de independência que estes estúdios têm".

"Eles foram autoconstruídos, muita gente investiu aqui muito dinheiro durante muito tempo e convém preservá-los e, para isso, a autarquia pode ajudar", considerou, apontando ainda aos cinemas, que podem reabrir "como salas de cinema" ou "salas de espetáculo".

Questionado sobre como seria possível preservar as rendas dos espaços a preços comportáveis para os artistas, Hélder Sousa lembrou que, se for um espaço público, "a autarquia tem toda a capacidade para exercer as rendas que lhe interessar", especialmente numa zona da cidade "sob uma pressão turística imobiliária muito grande".

O candidato destacou ainda "o interesse imaterial e o património imaterial" produzido e criado no Stop, que "deve ser salvaguardado".

"É possível classificar isto como património imaterial de interesse público", trazendo "mais visibilidade e mais contexto para a câmara municipal atuar na preservação da atividade dos músicos e coletivos que aqui trabalham", segundo Hélder Sousa.

Na visita ao Stop cruzou-se com o adversário Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), que também fez uma visita ao espaço, e, questionado sobre se será mais díficil proteger o edifício com a direita no poder no Porto, Hélder Sousa considerou que não sabe "o que a direita pensa sobre o espaço" e até agora "esteve no executivo e fez muito pouco para que houvesse outro desfecho deste edifício".

"Teremos que ver. A direita já fala em expropriação de devolutos na cidade para resolver o problema da habitação. Se calhar, também estão interessados em alinhar connosco nesta ideia. Se alinharem connosco, eles alinham connosco. Não somos nós que alinharemos com eles", concluiu.

Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU - coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro - coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto - independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).

O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.

As eleições autárquicas realizam-se no domingo.

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