Ferrovia, Variante do Cávado e BRT marcam debate entre CDU, ADN e Livre em Braga
Inês Saldanha
A ligação ferroviária Braga-Guimarães, a construção da Variante do Cávado e a implementação do BRT foram alguns dos temas centrais do debate entre os candidatos da CDU, ADN e Livre à Câmara de Braga.
Ligação Ferroviária
"O Estado central não tem mãos a medir para financiar a linha circular de Lisboa, que custou mil milhões de euros, ou os 800 milhões da linha Rubi no Porto. “Nós em Braga somos a terceira maior cidade, precisamos de exigir [a ligação ferroviária Braga-Guimarães], porque os cidadãos de Braga não são de segunda nem de terceira”, defendeu o candidato da CDU à autarquia, João Baptista.
Para o cabeça de lista, “apostar na ferrovia é dinheiro revertido para a população” e, por isso, considera que o próximo executivo deve lutar pela inclusão desta ligação no Plano Ferroviário. Sublinhou ainda que a medida permitiria “retirar cerca de 50 mil veículos das ligações da Estrada Nacional (EN) 101 e da Autoestrada (A) 11”.
Passe único intermodal
João Baptista destacou também a importância da criação de um “passe único intermodal”, defendendo que tal medida “iria tirar muita gente da estrada”.
“Quando as pessoas vêm de concelhos vizinhos, como Vila Verde, Amares ou Póvoa de Lanhoso, e chegam a Braga, têm que ter outro passe dos TUB (Transportes Urbanos de Braga), ou em Guimarães, dos TUG (Transportes Urbanos de Guimarães). Se tivéssemos um passe único, conseguíamos retirar milhares de veículos da estrada”, reiterou.
Variante do Cávado
O candidato do ADN, Francisco Pimentel Torres, manifestou apoio ao investimento ferroviário, sobretudo no quadrilátero urbano que envolve Braga, Barcelos, Famalicão e Guimarães. O concorrente à autarquia salientou ainda que o “Estado central não tem tratado bem Braga”, apontando como exemplo a construção da Variante do Cávado.
“A Variante do Cávado é uma responsabilidade do Estado central e das Infraestruturas de Portugal (IP). Será uma estrada nacional, não pertence a Braga e o presidente da Câmara deve influenciar, pressionar, pode fazer com que isso seja construído, porque sem essa via não haverá redução de trânsito nem de automóveis dentro da cidade de Braga”, afirmou.
Também o candidato do Livre, Carlos Fragoso, reconheceu que o investimento na Variante do Cávado “é importante”, mas destacou a necessidade de enfrentar o “problema do centro urbano”.
“Nós somos profundamente defensores da cidade dos 15 minutos, de reduzir a necessidade e a distância das deslocações e promover o transporte público, bem como as formas de mobilidade suave”, afirmou.
Ligação entre Braga e Guimarães
Carlos Fragoso reforçou ainda que o partido “é um grande defensor da ferrovia”, acrescentando que “é urgente haver uma ligação entre Braga e Guimarães”.
“No Livre acreditamos sobretudo na urgência de uma mudança de paradigma na área da mobilidade. Colocar as pessoas no centro da ação política, ou seja, o que nós temos de pensar é como é que movemos as pessoas, não é como é que movemos os carros ou os comboios, porque são as pessoas que têm necessidade de mobilidade”, disse.
Projeto BRT
No que toca ao BRT (Bus Rapid Transit), os candidatos apresentaram posições divergentes.
O candidato da CDU afirmou que não se opõe à solução, embora ressalve que a “solução não é ótima”.
“Temos noção que o PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) tinha 100 milhões destinados a este projeto, que a Câmara se candidatou. Infelizmente, por inércia, só vai conseguir fazer uma das quatro linhas, mas deixem avançar essa linha”, considerou João Baptista.
Já Francisco Pimentel Torres afirmou que, para o ADN, o “BRT é uma aberração”, opinião partilhada pelo candidato do Livre.
“Braga é uma cidade bimilenar com o casco urbano consolidado há centenas de anos. As vias são estreitas, sinuosas. O BRT vai destruir grande parte da cidade”, disse Carlos Fragoso.
As eleições autárquicas estão marcadas para o dia 12 de outubro.
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