Candidato do Chega no Porto diz que providência cautelar do PSD é "fantochada"
Porto Canal/Agências
O candidato do Chega à Câmara do Porto, Miguel Côrte-Real, classificou de “fantochada” a providência cautelar interposta pela coligação O Porto Somos Nós (PSD/CDS-PP/IL) sobre a segunda fase da obra do metrobus no Porto.
Trata-se de uma “fantochada” e “simulação” o que a candidatura de Pedro Duarte "continua a fazer à segunda fase da obra do metrobus”, afirmou Miguel Côrte-Real, em declarações à Lusa, à margem de uma ação de campanha na zona da Foz do Porto.
A candidatura de Pedro Duarte, ex-ministro dos Assuntos Parlamentares de Portugal do XXIV governo de Portugal (2024-2015), interpôs esta segunda-feira uma providência cautelar contra a empresa de transporte público Metro do Porto, com o objetivo de parar as obras do metrobus.
Côrte-Real critica Pedro Duarte, referindo que o candidato diz que tem uma “relação privilegiada com o primeiro-ministro, que foi colega do primeiro-ministo” e depois para “outros assuntos já não há nenhuma relação e metem-se providências cautelares a decisões do governo e de empresas tuteladas pelo governo”.
“Não sei se isto é uma simulação, mas não podemos estar a brincar à conta de simulações de candidaturas”, disse Miguel Côrte-Real, reiterando que o Chega não pactua com “fantochada” nem com “simulação”.
O candidato do Chega recorda que quando Pedro Duarte entrou em campanha fez “um vídeo a festejar” que não ia avançar a segunda fase do metrobus.
“Passado uma semana faz uma manifestação com funcionários municipais, (…) a dizer que é contra a obra do metrobus. Cria cartazes, deixa cartazes pendurados (…). Não sei se agora é para daqui a três ou quatro dias o governo vir, a pedido da pretensão do candidato, interromper a obra do metrobus”, questiona Côrte-Real.
O candidato do Chega defende que a Metro do Porto “pare de imediato” a obra da segunda fase do metrobus, mas considera que se escusava de manter “este teatro” de Pedro Duarte, porque o candidato social-democrata “tem condições de diálogo diretos com o ministro e o primeiro-ministro para impedir uma obra que está à vista de todos e que não faz sentido acontecer”.
De acordo com a providência cautelar que deu entrada no Tribunal Administrativo e Fiscal do Porto, a qual a Lusa teve acesso, o documento assinala a "total incompreensão com o violento arranque da 2.ª fase, a que depressa se juntou um sentimento generalizado de dor e indignação, ao perceber-se que o arranque das obras se fez com o início do abate de dezenas de árvores de grande porte e pela destruição de corredores verdes urbanos".
Para Pedro Duarte, a Metro do Porto "demonstra uma absoluta irresponsabilidade e despreocupação com as gerações futuras, até porque foram já identificadas alternativas técnicas viáveis, menos gravosas, com menor impacto".
O abate de árvores do primeiro trecho da segunda fase do metrobus é conhecido desde o dia 27 de agosto, quando a Lusa noticiou que entre as avenidas Marechal Gomes da Costa e Antunes Guimarães, o saldo ia passar de 48 árvores - 16 a manter, 30 a abater (27 no canal central e 3 em passeios) e duas a transplantar - para 108 árvores no final: 16 mantidas, 87 novas (56 nos passeios e zonas de atravessamento da Boavista e 6 no passeio da Antunes Guimarães) e cinco transplantadas.
Concorrem à Câmara do Porto Manuel Pizarro (PS), Diana Ferreira (CDU - coligação PCP/PEV), Nuno Cardoso (Porto Primeiro - coligação NC/PPM), Pedro Duarte (coligação PSD/CDS-PP/IL), Sérgio Aires (BE), o atual vice-presidente Filipe Araújo (Fazer à Porto - independente), Guilherme Alexandre Jorge (Volt), Hélder Sousa (Livre), Miguel Corte-Real (Chega), Frederico Duarte Carvalho (ADN), Maria Amélia Costa (PTP) e Luís Tinoco Azevedo (PLS).
O atual executivo é composto por uma maioria de seis eleitos do movimento de Rui Moreira e uma vereadora independente, sendo os restantes dois eleitos do PS, dois do PSD, um da CDU e um do BE.
As eleições autárquicas realizam-se a 12 de outubro.
