Debate de Matosinhos gira em torno da mobilidade. Expansão do metro, críticas à UNIR e acessibilidade em foco nas propostas dos candidatos
João Nogueira
Os candidatos à Câmara Municipal de Matosinhos para as eleições autárquicas de 2025 estiveram em debate esta segunda-feira no Porto Canal. Entre os vários temas debatidos, Bruno Pereira (PSD/CDS-PP), Diana Sá (Livre) e Hugo Alexandre Trindade (PAN), discutiram soluções para os principais desafios de mobilidade que o concelho enfrenta. Cada um apresentou focos diferentes de prioridade, desde a rede UNIR, a expansão do metro no concelho e até a perda de força política do município no Conselho Metropolitano.
Os candidatos discutiram entre a habitação e a cultura, mas o tema central do debate desta segunda-feira foi a mobilidade. Sublinhando a necessidade de melhorar a rede de transportes e a acessibilidade, os três candidatos apresentaram diferentes perspetivas sobre a situação atual e as possíveis melhorias para a cidade.
“Nos últimos 25 anos não foi construído um centímetro novo da linha de metro de Matosinhos”
Bruno Pereira (PSD/CDS-PP) iniciou as suas intervenções com uma crítica à atual liderança do município, especialmente à Presidente da Câmara, Luísa Salgueiro, e à sua gestão da mobilidade em Matosinhos.
Segundo o social democrata, a falta de influência política da autarquia no Conselho Metropolitano do Porto tem prejudicado o concelho, particularmente no que toca à expansão da rede de metro. "Matosinhos chegou a ter a vice-presidência da área metropolitana do Porto, mas perdeu esse peso político e, como consequência, as necessidades de expansão da linha de metro foram ignoradas", afirmou.
O candidato criticou o facto de, nos últimos 25 anos, não ter sido construída uma nova extensão de metro em Matosinhos, destacando que, enquanto o Partido Socialista só agora avançou com a expansão para Leça da Palmeira, o PSD já trabalha neste projeto desde 2022.
“É preciso criar faixas BUS para conseguir cumpri os horários”
A UNIR também foi centro de destaque no debate, com a candidata do Livre, Diana Sá, a apontar melhorias necessárias.
A candidata afirmou que a rede precisa de uma reformulação urgente, com um aumento da frequência e ampliação dos horários. "É essencial que a rede UNIR seja mais frequente, pois há zonas em Matosinhos mal servidas por transporte público", disse.
Diana Sá defendeu também a criação de soluções alternativas, como o investimento em mobilidade suave (como bicicletas e trotinetes), para diminuir a pressão nas áreas com menor oferta de transportes. Para a candidata, o projeto do metrobus até Leça da Palmeira poderia ser uma boa solução, mas com o compromisso de garantir que o sistema funcione de forma eficaz. "Espero que o metrobus, ao contrário do que aconteceu noutros locais, atenda às necessidades dos matosinhenses", sublinhou.
Alargamento do Aeroporto do Porto
Em relação à expansão do Aeroporto do Porto, Diana Sá reiterou a posição do Livre, sendo contra a expansão, visto que o aeroporto ainda não utiliza toda a sua capacidade atual e a ampliação traria impactos negativos, sobretudo ao Porto. "Não há necessidade de aumentar o aeroporto neste momento", concluiu.
“Apoiamos a Linha de Leixões e o metrobus em Leça da Palmeira”
Hugo Alexandre Trindade (PAN) abordou a mobilidade de uma forma mais centrada na melhoria da qualidade de vida dos cidadãos.
Para o candidato, qualquer solução que contribua para uma mobilidade mais rápida, segura e económica é válida, e as melhorias nas infraestruturas devem ser feitas sem esquecer os detalhes. "As pessoas não se importam de como vão de A a B, mas exigem que seja da forma mais eficiente possível", disse.
O candidato do PAN também criticou a falta de manutenção em algumas infraestruturas, citando a estação do metro da Senhora da Hora, onde a construção de uma pala necessária nunca foi realizada, deixando os passageiros expostos às intempéries. "São detalhes simples, mas essenciais para a qualidade de vida das pessoas", afirmou.
Além disso, o candidato destacou a importância da acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. "Matosinhos ainda tem muitas zonas inacessíveis para pessoas com deficiência. Não podemos falar de uma cidade moderna sem garantir acessibilidade em todos os pontos", defendeu.
Os três candidatos concordaram que Matosinhos precisa de mais investimentos na mobilidade, mas cada um propôs caminhos diferentes para resolver as questões que afetam a cidade. Seja com a expansão do metro, a reestruturação da rede UNIR, ou a implementação de soluções mais acessíveis e sustentáveis, a questão da mobilidade deverá ser uma das principais bandeiras nas próximas eleições autárquicas no concelho.
As eleições estão marcadas para 12 de outubro.
